quinta-feira, 17 de agosto de 2017

Lançado o emblema do Patrimônio Cultural Brasileiro

Agora os bens reconhecidos como Patrimônio Cultural Brasileiro possuem uma identidade visual única e comum. Abstração, cores e simbolismos caracterizam o emblema lançado pelo Instituto do Patrimônio Histórico e Artístico Nacional (Iphan), em 16 de agosto, véspera do Dia do Patrimônio Cultural no Brasil e celebra também os 80 anos do Iphan. Este é um novo marco para a promoção, difusão, sinalização e proteção do Patrimônio Cultural Brasileiro, que deve ser utilizado não só pelo Iphan, mas por todos os parceiros na preservação, gestão e valorização do Patrimônio Cultural, em especial as comunidades detentoras desses bens.

O lançamento do emblema ocorreu durante o Seminário Internacional Gestão do Patrimônio Moderno, realizado pelo Iphan no Auditório do Museu de Arte da Pampulha, em Belo Horizonte (MG). Além do emblema, também foi apresentado o Manual de Identidade Visual e Aplicação, criado pelo vencedor do concurso, o designer Fábio Lopez. As orientações técnicas para a produção de projetos gráficos, relacionados ao Patrimônio Cultural no país, já estão disponíveis no site do Iphan.

O concurso para a escolha do emblema contou com mais de 280 propostas inscritas. Os trabalhos foram avaliados por uma Comissão Julgadora, constituída por representantes de diversas Instituições parceiras do Iphan: Instituto de Arquitetos do Brasil (IAB), Associação Brasileira de Antropologia (ABA), Sociedade de Arqueologia Brasileira (SAB), Secretaria de Políticas de Promoção da Igualdade Racial (SEPPIR), UNESCO, ICOMOS e Associação dos Designers Gráficos do Brasil.

A ideia do emblema do Patrimônio Cultural

O vencedor do concurso, o designer carioca Fabio Pinto Lopes de Lima (que assina Fabio Lopez) conta que beleza, proteção e reprodução são ideias que estiveram presente na origem do sinal proposto. Para ele, são conceitos associados à tarefa de preservar e valorizar o Patrimônio Cultural Brasileiro. “A opção por um caminho mais abstrato me pareceu muito natural porque o Patrimônio Cultural é um conjunto muito complexo de manifestações. Assim o recurso da figuração seria inviável, pois eu teria que escolher de forma muito exclusiva algum elemento do patrimônio”. A forma circular do emblema expressa a perspectiva de movimento, ressignificação, a natureza complexa do Patrimônio Cultural Brasileiro que se encontra em permanente construção.

Designer e mestre pela ESDI-UERJ, Fábio Lopez é também professor do departamento de Artes e Design da PUC-Rio. Atualmente integra o conselho curador da Bienal Tipos Latinos, após ter sido coordenador técnico e jurado da mostra. Desde 2000 atua como designer independente em projetos de identidade visual, tipografia, moda e ilustração. É autor do projeto mini Rio', homenagem e extenso exercício de representação visual que resultou na criação de mais de 200 pictogramas e padronagens sobre o Rio de Janeiro.

Em 2010 trabalhou na criação da marca dos Jogos Olímpicos do Rio, tendo sido o responsável pela criação do logotipo Rio 2016. Em 2011 venceu o concurso de criação da marca do Centro Carioca de Design, órgão de fomento ligado à prefeitura da cidade do Rio de Janeiro. Já criou selos postais para os Correios, tendo publicado, em 2013, uma série sobre Cemitérios Tombados pelo Patrimônio. É palestrante, consultor e articulista.

Mais informações para a imprensa
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Fonte das imagens: do site

segunda-feira, 7 de agosto de 2017

Patrimônio Histórico e Arquitetônico de Encruzilhada do Sul

Encruzilhada do Sul, município situado na região central do Rio Grande do Sul, no topo da chamada Serra do Sudeste, o município tem um grande significado histórico – cultural para o Brasil e para o Rio Grande do Sul. Em sua origem, situada no cruzamento de estradas que levava os tropeiros e os militares portugueses ao sul da Província do Rio Grande de São Pedro, em busca de animais para o centro do País ou na luta contra os espanhóis, marcou profundamente a influência portuguesa e açoriana em nosso município, incluindo a arquitetura. A riqueza de nossa arquitetura está expressa na igreja, nas casas de origem açoriana, nas ruas e nas praças e conta um importante capítulo na história do estado e do Brasil.
Esta influência se mostra presente na arquitetura, com prédios em estilo colonial, e alguns em estilo neoclássico com influência da arquitetura positivista, dominante no estado do Rio Grande do Sul no começo do Século XX.
Atualmente, os prédios históricos de Encruzilhada do Sul vêm se deteriorando, sem que nada seja feito para preservar essas edificações, exceto por iniciativa própria de alguns proprietários, pois o município não tem ainda em vigor uma Lei de Preservação do seu Patrimônio Cultural. Possui apenas uma lista no Plano Diretor do município, criado em 2010, elencando prédios históricos passíveis de preservação, porém, sem nenhum meio legal para que os mesmos possam ser tombados ou preservados.
Diante deste quadro, surge a pergunta: até quando vamos deixar nosso patrimônio se deteriorar? Dar prioridade à preservação do patrimônio arquitetônico não significa assumir uma postura que seja contrária ao novo, mas antes, uma reflexão crítica que implica em assumir uma responsabilidade social cada vez maior com o que é construído. Cabe não só aos profissionais capacitados encontrar os caminhos capazes de identificar e conciliar as forças do passado para transformá – la no futuro, mas a toda a sociedade.

Abaixo, a lista dos prédios constantes no Plano Diretor e algumas imagens dos mesmos.
Crédito das fotos: do Autor.
Os prédios estão identificados por número, seguindo a numeração do Plano Diretor.

Plano Diretor de Encruzilhada do Sul - Lei N° 3.552, de 15 de Fevereiro de 2016

Capítulo VI

Dos prédios de valor Histórico e Cultural

Art. 16 - São considerados de valor histórico, cultural e de expressiva
tradição para a cidade de Encruzilhada do Sul, os seguinte imóveis:

1 – Prédio da rua Conde de Porto Alegre, n° 137, construído em alvenaria, arquitetura neoclássica em estilo português, registrado no cadastro geral de imóveis da prefeitura, em data anterior ao ano 1947, (antigo Fórum).
2 – Prédio na rua Conde de Porto Alegre, n° 154, construído em alvenaria, arquitetura clássica em estilo português, registrado no cadastro geral de imóveis da prefeitura em data anterior ao ano de 1947, (prédio principal da Escola Estadual
Borges de Medeiros);
3 – Prédio da Rua Ramiro Barcelos, n° 709, construído em alvenaria, arquitetura clássica e anobrezada do estilo português, ricamente detalhado no sobreado azulejado, registrado no cadastro geral de imóveis da Prefeitura, em data anterior ao ano de 1947 (Prédio onde funcionou a antiga Farmácia Baroni);
4 – Prédio da rua Ramiro Barcelos, n° 670, construído em alvenaria, arquitetura renascentista; no estilo português, as janelas amplas e decoradas, a luminosidade, enfeites, escadarias de mármore enriquecem o destacado prédio, registrado no cadastro geral de imóveis da Prefeitura, em data anterior ao ano de 1947 (Residência do Dr. Sonino Baroni in memorian);
5 – Prédio da Avenida Rodolfo Taborda, n° 130, construído em alvenaria, arquitetura colonial tipicamente brasileira, com uma série de janelas pequenas na fachada; divididas por uma porta central, as telhas de canoas, os tijolos crus, exemplificam a obra - registrado no cadastro geral de imóveis da prefeitura em data anterior ao ano de 1947 (antiga casa da família Pompeo de Machado);
6 - Prédio da Fazenda da Lapa, localizado a 10 km da sede do municipal, construído em alvenaria, arquitetura colonial estilo português: elementos decorativos não existem na peculiar simplicidade do estilo; a cor branca e os detalhes em azul enriquecem o cenário campestre, registrado no cadastro geral de imóveis da Prefeitura em data anterior ao ano de 1947 (residência do 1º bispo do Rio Grande do Sul, Dom Feliciano Prates);
7 – Prédio da rua Conde de Porto Alegre, n° 100, construída em alvenaria, arquitetura neoclássica, estilo português; acentuada quebra da linha reta pela curva , os detalhes e relevos na fachada glorificam a majestosa construção - registrado no cadastro geral de imóveis em data anterior ao ano de 1947 (onde funcionou o Banco da Província, Banco Nacional do Comércio, Banco Sulbrasileiro e por último, o Banco Meridional);
8 – Prédio da Rua XV de Novembro, n° 173, construído em alvenaria, arquitetura neoclássica; estilo português; a obra majestosa representa o legado vivo do projeto e a sua conservação à perpetucidade. Os elementos  caracterizantes se expressam pela riqueza de detalhes na platibanda, volutas e relevos na fachada, a simetria combina harmoniosamente com as inovações, registrado no cadastro geral de imóveis da Prefeitura em data anterior ao ano de 1947 (Residência da família Dr. Jaime Von Diemen);
9 – Prédio da Praça Silvestre Corrêa, n° 77, construído em alvenaria, arquitetura clássica estilo português, construído em 1887, registrada no cadastro geral de imóveis da Prefeitura, em data anterior ao ano de 1947, (antigo prédio da Farmácia Silveira, situado atrás da feira do Produtor e que pertenceu ao 1º Intendente Municipal, Silvestre Sabino Corrêa da Silveira).
10 - Prédio da rua Ramiro Barcelos, n° 559, construído em alvenaria, arquitetura neoclássica, se mistura ao ecletismo numa filosofia de universalidade; as antigas tendências acopladas às recentes propostas: mouriscas, renascentistas e fachada com as janelas e balcões, ganham a resolução arquitetônica, registrado no cadastro geral de imóveis da Prefeitura, em data anterior ao ano de 1947, (prédio da casa de Cultura Humberto Fossa, antiga residência do Gastão Gonçalves Lopes), (Solar Gastão Gonçalves Lopes.)
11 – Prédio da rua Bento Gonçalves, n° 906, construído em alvenaria, arquitetura barroca, estilo português; a fachada deixa a simplicidade anterior e ganha a riqueza dos rendilhados, os anjos alados decorando as janelas com pórticos de entrada, inclinando-se à filosofia positivista, registrado no cadastro geral de imóveis da Prefeitura, em data anterior ao ano de 1947, Residência do Sr. Artigas Silveira.
12 - Prédio da rua Ramiro Barcelos, n° 427, construído em alvenaria, arquitetura clássica estilo português; o frontispício retangular com detalhes em colunas, lembrando a filosofia positivista. O sobrado está conjugado com uma torre de observação ou olheiro - registrado no cadastro geral de imóveis da Prefeitura, em data anterior ao ano de 1947, (prédio do antigo Presídio Municipal, atualmente Casa de Passagem e ASAFAMEC);
13 – Prédio da Praça Dr. Ozy Teixeira, n° 79, construído em alvenaria, arquitetura clássica, recebe a influência de estilo eclético, janelas com balcões e do “art - nouveau”, ostentando elementos decorativos sinuosos e floridos de ferro e vidro e escadarias com referendado mármore - registrado no cadastro geral de imóveis da Prefeitura, em data anterior ao ano de 1947, (residência da família de Ozy Teixeira).
14 – Prédio da Praça Dr. Ozy Teixeira, n° 132, construído em alvenaria, arquitetura clássica estilo português, com detalhes em sua fachada, lembrando a filosofia positivista e maçônica registrado no cadastro geral de imóveis da Prefeitura, em data anterior ao ano de 1947, (prédio da antiga Intendência Municipal, onde hoje funciona a Secretaria Municipal de Cidadania e Inclusão Social).
15 – Prédio da Praça Dr. Ozy Teixeira, n° 118, construído em alvenaria, arquitetura clássica estilo português, lembrando a filosofia positivista e maçônica - registrado no cadastro geral de imóveis da Prefeitura, em data anterior ao ano de 1947, (Prédio da Câmara Municipal de Vereadores).
16 – Prédio da Praça Silvestre Corrêa, construído em alvenaria, arquitetura barroca, reflete o estilo português. Os elementos presentes em destaque: na parte frontal, está um retângulo, um frontão triangular (herança helênica), lembrando a filosofia positivista, encimado pelo sineiro e uma cruz, as três janelas no coro e uma grande porta de entrada ladeada por duas portas de fachada. Bem mais tarde, a nossa Igreja ganha elementos novos como as janelas com vitrais enriquecendo mais ainda o majestoso oráculo de fé - registrado no cadastro geral de imóveis da Prefeitura, em data anterior ao ano de 1947, (Igreja Matriz Santa Bárbara).
17 – Antiga Usina do Moinho do Corvo, construída em alvenaria, arquitetura clássica estilo português, registrada no cadastro geral de imóveis da
Prefeitura, em data anterior ao ano de 1947.
18 – Prédio da rua General Osório, 940, construído em alvenaria, arquitetura clássica estilo português; a ampla fachada e a série de janelas envidraçadas, porta principal e o átrio com azulejos portugueses, reflete o poderio da “belle – époque” - registrado no cadastro geral de imóveis da Prefeitura, em data anterior ao ano de 1947, (antiga residência da família Gomercinda Fontoura).
19 – Prédio da Rua General Osório, 1000, construído em alvenaria, arquitetura clássica estilo português, ampla fachada e série de janelas envidraçadas, reflete o poderio da “belle – époque” - registrado no cadastro geral de imóveis da Prefeitura, em data anterior ao ano de 1947, (atual residência do Sr. Naldo Peixoto).
20 – Prédio da Avenida Rodolfo Taborda, construído em alvenaria, arquitetura clássica estilo colonial português, (residência da família João Jacob Guns).
21 – Prédio da Rua XVII de dezembro, 311, construído em alvenaria, arquitetura clássica de valor histórico por ser a segunda unidade de geração e distribuição de energia elétrica produzida a motor diesel. A primeira unidade de geração e distribuição operava no final da rua Benjamin Constant com a rua Inácio Azambuja (hoje servindo de residência a moradores da Vila Lava-Pés), - registrado no cadastro geral de imóveis da Prefeitura, em data anterior ao ano de 1947, (antiga Usina da CEEE).
22 – Parque de Exposições Desidério Finamor, Avenida Rodolfo Taborda, construído em alvenaria, arquitetura clássica estilo colonial português, lembrando a filosofia positivista - registrado no cadastro geral de imóveis da Prefeitura, em data anterior ao ano de 1947.
23 – Prédios e Pórtico da Antiga fábrica do Renner, Avenida Dr. Zeferino
Pereira Luz, construídos em alvenaria, arquitetura clássica estilo alemão, registrados no cadastro geral de imóveis da Prefeitura, em data anterior ao ano de 1947.
24 – Fachada dos prédios frontais e no entorno das praças Dr. Ozy Teixeira e Silvestre Corrêa, entre as ruas Dr. Zeno Pereira Luz e rua General Osório, construída em estilo arquitetônico clássico português, do século XVIII.
25 – Prédio em alvenaria/pedras, estilo colonial português, construído no início do século XVIII, antiga sede da Fazenda Branca, onde hoje está instalada a
Escola Municipal de Ensino Fundamental São Luiz.
26 – Consideram - se de valor histórico, cultural e de expressiva tradição, também as fachadas de prédios com arquitetura clássica colonial estilo português.
§ 1º - A toda alteração original das edificações de valor histórico, cultural e de expressiva tradição, deve o proprietário encaminhar pedido ao setor técnico da
Prefeitura, que deverá encaminhar ao Conselho Municipal do Plano Diretor para avaliação e parecer.
§ 2º - Após a realização do Inventário dos Bens Culturais do Município, novos bens de valor histórico e cultural poderão ser incluídos na relação acima.
§ 3º - Será definido em Lei complementar a forma de preservação dos referidos imóveis com a participação da Prefeitura Municipal, objetivando o processo de tombamento histórico cultural de interesse tradicional.


















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quarta-feira, 26 de julho de 2017

Arquivo Nacional do Rio de Janeiro poderá fechar em agosto se corte de 36% da verba for mantido

A crise que assola o Estado ameaça agora o Arquivo Nacional, instituição que preserva a memória do país. Por causa do corte de verbas de 36% no orçamento, o local, que é ligado ao Ministério da Justiça (MJ), pode fechar as portas no mês que vem. Por isso, a Associação dos Servidores do Arquivo Nacional (Assan) enviou um documento ao MJ solicitando a revisão da medida.
“No primeiro semestre deste ano, foram gastos cerca de R$ 12 milhões, sobrando só R$ 2 milhões, de julho até dezembro. Ou seja, a nossa perspectiva real é a de fechar o Arquivo Nacional, possivelmente, até o fim de agosto”, lamenta Rodrigo Mourelle, presidente da Assan.
Todo dinheiro que resta será usado na manutenção básica, para pagar as contas de água e energia. Exposições futuras foram suspensas, assim como reformas estruturais. Uma delas seria no prédio da Praça da República, no Centro, que reúne quase todo o acervo. Uma inspeção do Corpo de Bombeiros no edifício identificou falhas no sistema de combate a incêndio.
Segundo a Assan, a redução da verba dificulta a manutenção do prédio e compromete a segurança das mais de 20 mil ilustrações, 8 mil livros raros e cerca de 1,7 milhão de fotos e negativos. “Um país que não valoriza a sua história e a sua memória, não valoriza a si mesmo”, observa o historiador Thiago Mourelle.
História preservada
A construção centenária que abriga o Arquivo Nacional armazena documentos que contam a história do Brasil desde os tempos coloniais. Como os originais da Lei Áurea, de todas as constituições nacionais, imagens da construção de Brasília e da ditadura militar. O acervo guarda ainda o passaporte do inventor e aeronauta Santos Dumont. O acesso ao acervo também pode ser feito pela internet (arquivonacional.gov.br).

A principal demanda é de pessoas que buscam documentos que registraram, no passado, a chegada de estrangeiros ao Brasil e que são importantes para quem quer dar entrada em pedido de nacionalidade de outro país. O receio, agora, é que esses e todos os outros milhares de documentos armazenados fiquem inacessíveis à população.
“Pensar que tivemos Olimpíada e que não conseguimos manter nossas instituições essenciais de guarda de acervo e pesquisa é uma vergonha, é um tiro no pé”, critica a historiadora Nataraj Trinta.
No ano passado, a verba destinada ao Arquivo foi de R$ 22 milhões, usada para despesas como pagamento de energia elétrica, água e funcionários terceirizados. Para organização de acervos maiores, o órgão busca financiamentos através de parcerias, com editais do BNDES (Banco Nacional de Desenvolvimento Econômico e Social). O Ministério da Justiça ainda não se pronunciou sobre os cortes feitos na instituição.
Fonte original da notícia: Metro Jornal
Reprodução/Band

domingo, 23 de julho de 2017

Cais do Valongo, no Rio, é declarado Patrimônio Histórico da Humanidade

Localizado na Zona Portuário do Rio, ele é o único vestígio material da chegada de africanos escravizados no continente americano.

O Cais do Valongo, na Zona Portuária do Rio, foi declarado pela Unesco neste domingo (9) o título de Patrimônio Histórico da Humanidade. Encontrado em escavações feitas durante as obras de revitalização da região, o local guarda parte da história da escravidão.

De acordo com o antropólogo Milton Guran, as ruínas do Cais do Valongo são os únicos vestígios materiais de desembarque de africanos escravizados nas américas.

O Valongo possui cerca de 350 metros de comprimento e vai da Rua Coelho e Castro até a Sacadura. Ele começou a ser construído no no fim do século XVIII e ficou pronto em 1811. A região era desabitada na época e o acesso era difícil. Por isso, foi escolhida para sediar o porto de desembarque de escravos.

A área deixa de funcionar como ponto de entrada de escravos por volta de 1831, quando leis contra a escravidão começaram a ser assinadas. Nessa época, o tráfego passou a ser clandestino e acontecia no período noturno.

Toda a estrutura do cais foi soterrada na reforma urbanística do Rio promovida pelo prefeito Pereira Passos.

Entre os séculos XVI e XIX, 10 milhões de africanos foram levados para o continente americano. Deste total, 40% vieram para o Brasil – cerca de 4 milhões de pessoas – dos quais 60% (2,6 milhões) desembarcaram no Rio.

No Cais do Valongo, historiadores estimam que desembarcaram um milhão de escravos. Por isso, a região ficou conhecida como “pequena África”. Os escravos eram expostos nos mercados e vendidos. O destino dos que morriam logo após a longa e dolorosa viagem era o cemitério dos pretos novos.

O local ficou embaixo de construções. Durante a reforma de uma das casas, os donos encontraram vestígios de milhares de africanos.


Fonte: http://g1.globo.com/rio-de-janeiro/noticia/cais-do-valongo-no-rio-e-declarado-patrimonio-historico-da-humanidade.ghtml



















Cais do Valongo, na Zona Portuário do Rio, é uma herança da chegada dos africanos escravizados nas Américas (Foto: Divulgação \ Marcelo Mena)

domingo, 9 de julho de 2017

Obras, sonhos e curiosidades: quatro famílias que escolheram casas históricas como lar

Lançados entre 2006 e 2009, três editais selecionaram 15 projetos de restauro no Centro Histórico

Basta uma caminhada atenta pelas vias do Centro para perceber: já somam algumas dezenas as edificações antigas que receberam cuidados nos últimos anos. Com frequência, prédios que compõem a história de Porto Alegre se tornam empresas ou comércios. Alguns, porém, viraram o lar de quem não se importa em investir em imóveis com a obrigação de se manterem fiéis às características originais.
Contamos as histórias de quatro famílias que, na hora de escolher a nova casa, optaram por se enquadrar nas regras do patrimônio histórico e, mais tarde, financiaram o restauro dos imóveis por um programa de estímulo à revitalização do Centro da década passada. 
— Um recurso investido em patrimônio é como um tiro que atinge vários pontos: contribui com o meio ambiente, a cultura, a geração de empregos. E ele gera uma onda, há um estímulo para que outros façam — avalia Luisa Durán Rocca, doutora em arquitetura e especialista em conservação e restauração de patrimônio histórico.
O projeto Monumenta, que ajudou proprietários de edificações históricas em 26 cidades brasileiras a restaurarem seus imóveis, mostrou ser capaz de dar frutos. Segundo a coordenadora do PAC Cidades Históricas, Briane Bicca, depois dos primeiros editais na Capital, entre 2006 e 2009, pelo menos sete outros proprietários procuraram o poder público querendo restaurar prédios antigos.
Dinheiro não falta: graças a um fundo criado quando a cidade entrou no Monumenta, o município conta com quase R$ 10 milhões prontos para serem reinvestidos em restauro de construções históricas. Há quase cinco anos, porém, a continuidade dos trabalhos esbarra em questões burocráticas.
— A prefeitura precisa de um agente financeiro para estruturar o financiamento. Tentamos com a Caixa (Econômica Federal), mas ela nos enrolou durante todo esse tempo, e no fim não teve interesse — conta a coordenadora do PAC Cidades Históricas.
Depois da tentativa frustrada, os gestores do fundo — que recebe também R$ 200 mil anuais da prefeitura — devem buscar alternativas. A ideia é uma parceria com o Banco Regional de Desenvolvimento do Extremo-Sul (BRDE). Briane diz que as tratativas para uma reunião estão sendo feitas por meio do Instituto do Patrimônio Histórico e Artístico Nacional (Iphan), em Brasília.
Projeto teve de convencer proprietários
O pontapé inicial do movimento ainda tímido de preservação da história no centro da Capital foi dado mais de 10 anos atrás. Em 2004, dois anos depois de pactuar a entrada no Monumenta, representantes do programa em Porto Alegre fizeram uma série de reuniões com moradores de prédios e casas antigas para vender uma ideia nova: financiar, a juro zero, o restauro de seus imóveis.
— Quando começamos a conversar com os proprietários, eles estavam furiosos. Queriam demolir os imóveis para fazer garagens, porque achavam que dava mais dinheiro. Até mudarmos a visão, foi muita conversa. Mostramos exemplos de outras cidades, de (imóveis) privados que podiam ser restaurados — lembra Briane.
Conforme a coordenadora do PAC Cidades Históricas, foram feitas quase 10 reuniões até que os primeiros interessados se manifestassem. Uma das razões para a resistência dos proprietários é o tabu em torno de edificações protegidas. Imóveis tombados e alguns tipos de inventariados não podem ser demolidos e precisam respeitar certos critérios para receber intervenções — o assunto é tão delicado que, em 2014, o inventário do bairro Petrópolis foi alvo de acaloradas discussões na Câmara Municipal e chegou a ser revogado e refeito por duas vezes.
No Centro, onde fica a maior parte dos mais de cem bens tombados do município, o diálogo surtiu efeito. Lançados entre 2006 e 2009, três editais selecionaram 15 projetos de restauro no Centro Histórico, entre casas, condomínios residenciais, prédios comerciais, uma igreja e um clube.
Tombamento
- Protege integralmente o imóvel. Ele não pode ser demolido, e o proprietário tem de preservar volumetria, divisões internas, elementos artísticos (como vitrais e escadarias) e a fachada com as características originais.

Inventário de estruturação
Imóveis desse tipo também não podem ser demolidos, e precisam ter fachada preservada. Outras alterações são permitidas, desde que autorizadas pela Equipe do Patrimônio Histórico e Cultural (Epahc)

Inventário de compatibilização
- São imóveis localizados perto de inventariados de estruturação (geralmente ao lado). Podem ser demolidos, mas a nova edificação tem de manter a mesma volumetria do imóvel antigo, respeitando o contexto original. 

CONHEÇA AS QUATRO HISTÓRIAS





Foto: Isadora Neumann / Agência RBS





Foto: Isadora Neumann / Agência RBS





Foto: Isadora Neumann / Agência RBS





Foto: Isadora Neumann / Agência RBS