terça-feira, 29 de outubro de 2013

AM – Com abandono de prédios, história da ‘Manaus antiga’ segue em ruínas

Uma volta no Centro de Manaus e é possível se deparar com prédios históricos que remetem ao tempo áureo da borracha, período de grandes transformações culturais e sociais para a cidade entre 1879 e 1912. No entanto, os 344 anos de um passado luxuoso ao estilo europeu não podem ser representados por todos os casarões da época. Alguns se encontram em ruínas há décadas, apesar dos governos municipal e estadual garantirem reverter a situação com projetos aprovados junto ao Ministério da Cultura (MinC). (Veja imagens de prédios históricos de Manaus em ruínas)
Um dos prédios em ruínas mais lembrado é o Hotel Cassina, um dos espaços mais frequentados por empresários da época da borracha. Situado na Rua Bernardo Ramos, no Centro Histórico de Manaus, o local também funcionou como a hospedagem Cabaré Chinelo. Atualmente, o manauense consegue identificar o casarão apenas pela fachada. As portas foram fechadas com concreto, o muro está pichado e o mato, crescido no interior da estrutura, atravessa as janelas tornando visível o aspecto de abandono para quem passa pela via.
“O Hotel Cassina tem que ser completamente reconstruído com novo piso, escada, telhados e janelas”, reafirmou Sheila Campos, superintendente do Instituto do Patrimônio Histórico e Artístico Nacional (Iphan) em Manaus. “Só resta a fachada. Internamente o prédio está completamente destruído”, concordou o titular da Secretaria Municipal do Centro (SEMC), Rafael Assayag.
Segundo o secretário, o projeto para reconstrução do hotel foi aprovado pelo Programa de Aceleração do Crescimento (PAC) Cidades Históricas 2. No entanto, a previsão é que o prédio fique pronto em dois anos. Na Copa do Mundo, a estrutura deve ser identificada turisticamente como ruína. A reforma do Museu do Homem do Norte, na Avenida Sete de Setembro, também no Centro da capital, deve aguardar o mesmo período para ficar pronto.
Próximo ao Hotel Cassina, a antiga sede da Câmara Municipal de Manaus também deve receber investimentos. “Por dentro, o prédio da Câmara apresenta estado deplorável”, disse Assayag. Os espaços estão entre os dez logradouros públicos contemplados pelo PAC, orçado em R$ 33 milhões.
Alguns prédios históricos carentes de reforma são de propriedade particular, e esse é um dos desafios para a restauração dos casarões. O Palacete Nery, antiga residência do ex-governador Silvério Nery é um deles. Localizada na Avenida Joaquim Nabuco, no Centro, a mansão está fora da área tombada pelo Iphan. “Há um grande interesse por parte do dono em restaurar o espaço, mas tudo depende do investimento”, disse Sheila Campos, do instituto.
A superintendente informou que há um programa de investimento sendo formatado junto à Caixa Econômica Federal e o MinC. “Estamos realizando reuniões para montar o programa e atestar a viabilidade do investimento que pode ser fundamental para as obras”, afirmou Sheila. Também no Centro, as avenidas Epaminondas e Joaquim Nabuco são cenários para casas particulares que apresentam aspecto de abandono.
Além desses, o Complexo Booth Line também aguarda por restauração. O local funcionava como escritório de uma companhia inglesa de navegação, fazendo o percurso Manaus-Liverpool. Quem passa por perto, consegue observar árvores invadindo a estrutura que não apresenta mais telhado. “Mesmo com o programa de financiamento, as obras de reforma e restauração vão depender muito também do interesse dos proprietários”, enfatizou a superintendente do Iphan.
Rafael Assayag ressaltou que alguns donos de casarões históricos de menor porte têm dívidas junto ao poder público. “Muitos têm débitos de IPTU [Imposto Predial Territorial Urbano]. Sem contar que não se pode exigir um valor mais alto que a avaliação do imóvel. Hoje em dia, os imóveis abandonados funcionam como pontos de drogas e espaço para abrigar quadrilhas, infelizmente”, lamentou o secretário.

Restaurações
Entre os locais restaurados pela Prefeitura de Manaus está o Paço da Liberdade, sede do Palácio do Governo em 1880, reformado nos primeiros dez meses da atual gestão municipal. A Biblioteca Pública Municipal, na Praça do Congresso, e o Relógio Municipal também passam por reparos e, de acordo com a SEMC, deve ficar pronto até a realização da Copa do Mundo em 2014.
No âmbito de atuação do Governo do Estado, alguns locais estão sendo restaurados. O Palácio da Justiça, situado na Avenida Eduardo Ribeiro, Centro da capital, era a sede do poder judiciário da Manaus Antiga e recebeu obras através do projeto Cartão Postal, da Secretaria de Estado da Cultura (SEC).
Participa também do projeto, o Ideal Clube, na esquina da Avenida Eduardo Ribeiro com a Rua Monsenhor Coutinho. As obras do local estão em andamento,  segundo informações da SEC. A antiga sede da Faculdade de Direito da Universidade Federal do Amazonas (Ufam), na Praça dos Remédios, e a própria Igreja dos Remédios também estão no aguardo de obras. Por Girlene Medeiros

Fonte: G1 AM
 
Fonte da notícia:  http://defender.org.br/2013/10/28/am-com-abandono-de-predios-historia-da-manaus-antiga-segue-em-ruinas/

















Majestoso Hotel Cassina precisa ser reconstruído do zero. (Foto: Girlene Medeiros/G1 AM)

















Antiga residência do governador Silvério Nery entra nos desafios de preservar patrimônio privado. (Foto: Girlene Medeiros/G1 AM)

















Paço da Liberdade fica localizado no Centro de Manaus. (Foto: Marcos Dantas / G1 AM)

Patrimônio em Perigo: Praia de Jaconé (RJ)

Formação rochosa em Maricá, Região dos Lagos, que foi descrita por Charles Darwin corre risco de sumir por conta da implantação de um terminal portuário

Gabriela Nogueira Cunha

A bordo do navio HMS Beagle, em sua famosa volta ao mundo que resultou na teoria evolucionista, Charles Darwin deu as caras pela costa brasileira no dia 9 de abril de 1832. Ao passar pela restinga que liga Maricá a Saquarema, municípios da Região dos Lagos fluminense, ele descreveu uma formação rochosa do tipo sedimentar, tornando-a famosa internacionalmente e catapultando-a para a história da ciência. Hoje, este mesmo patrimônio natural está ameaçado pelo projeto que prevê a implantação de um terminal portuário na Praia de Jaconé, que tem apoio da prefeitura de Maricá.
A criação do chamado Terminal Ponta Negra (TPN), orçado em R$ 5,4 bilhões e previsto para 2015, visa atender a necessidades logísticas principalmente da indústria de óleo e derivados do petróleo que vai explorar a região da Bacia de Santos. Para a prefeitura, o terminal é um investimento no desenvolvimento da região. Por meio de sua assessoria de imprensa, afirmam que “o licenciamento ambiental do futuro porto não cabe à esfera municipal”. Caberia a eles apenas cobrar para que todos os aspectos sociais, ambientais e econômicos sejam considerados.
O problema é que sua criação acarretará a destruição completa daquelas rochas de praia, chamadas de beachrocks, que foram descritas por Darwin em seu diário de bordo, publicado em forma de livro em 1839. “No Rio de Janeiro temos alguns poucos locais de ocorrência, contudo, a partir de estudos que eu e outros pesquisadores fizemos, datamos essas rochas de Jaconé em cerca 6 mil anos, o que as coloca como as mais antigas do estado. Isso aumenta seu valor”, explica o geólogo Vitor Nascimento, da Universidade Federal Fluminense, lembrando os arrecifes como exemplos dessas formações. “Os homens pré-históricos fizeram uso daquelas rochas, pois foram encontrados fragmentos das mesmas em antigas habitações: os sambaquis da Beirada e de Moa, em Saquarema”, explica.
Segundo Nascimento, as descrições geológicas de Darwin têm relevância internacional e o afloramento das beachrocks, valor geológico, científico e cultural. “O patrimônio pode ser enquadrado na categoria dos patrimônios naturais, contudo, trata-se de um tipo que só recentemente tem sido estudado no Brasil, que é o patrimônio geológico”, comenta o pesquisador, que faz parte da Revista Brasileira de Geociências, que também denuncia os impactos da construção do terminal. “Nós não temos condições de efetivar a proteção em si, mas de chamar a atenção para essa necessidade”.
Juntamente com ONGs, como a “SOS Jaconé – Porto Não!”, os integrantes da revista formam um grupo de gestão provisória do Geoparque Costões e Lagunas, que propõe o desenvolvimento sustentável do local. A iniciativa, que está em fase de reconhecimento pela Rede Global de Geoparques da Unesco, dita o uso racional do patrimônio geológico, unindo o desenvolvimento através de atividades ligadas ao geoturismo e seus usos educativos.
A Secretaria de Meio Ambiente de Maricá resumiu suas declarações ao afirmar que a construção do megaporto não comprometerá as beachrocks.


















A face leste da praia de Ponta Negra, onde é possível ver as formações rochosas

IPHAE tomba oficialmente Sobrado da Família Silva e Casa de Pedra em São Nicolau

Foi publicado no Diário Oficial do Estado, no dia 15 de outubro, as portarias de tombamento 071 e 072/2013, que declaram Patrimônio do Estado o Sobrado da Família Silva e a Casa de Pedra localizada junto a Secretaria Municipal de Turismo de São Nicolau. Esta é uma conquista muito significativa para a comunidade, pois ambos tornando-se prédios públicos do Governo do Estado, ganham notoriedade para pedidos de verbas para a obra de restauro, o que é um anseio antigo da comunidade. A redação de A NOTÍCIA procurou a secretária de Turismo de São Nicolau, Ana Paula Alvarenga, que destacou a importância dos tombamentos.

AN - Como a comunidade são-nicolauense recebeu a notícia sobre os tombamentos? E o setor de Turismo de São Nicolau que há anos espera esta documentação, que passos irá seguir a partir de agora?
Ana Paula – “Na verdade, recebemos a notícia no dia 23 de outubro, apesar de a publicação ter saído dia 15, no Diário Oficial. Aos poucos a comunidade está tomando conhecimento, e aos poucos se dando conta da importância deste fato. Fizemos a solicitação de tombamento para o IPHAE em março deste ano, quando encaminhamos toda uma série de documentos que são exigidos. Nossa intenção enquanto Administração é que sendo ambos os prédios tombados e tornando-se bens do Estado, nossos esforços na busca de recursos para a obra de restauro, ganhem aliados”.
AN - Com o tombamento dos prédios, verbas poderão ser solicitadas para os seus restauros. Há alguma idéia atualmente de quanto seria necessário para restauração completa e quanto tempo levaria para isso?
Ana Paula – “Atualmente, só o projeto executivo da obra custa R$300 mil. É atrás deste valor que estamos correndo atrás, há anos. A obra de restauro e construção de um anexo junto ao Sobrado, para transformá-lo em um Centro Cultural ou Casa de Cultura está orçada em mais ou menos R$ 1.300.000,00. Porém, depois de termos o projeto pronto, o caminho para buscar o valor para executar a obra é mais curto, por que existe muita verba para isso, o que não existe é grana para pagar o projeto. Por incrível que pareça, é mais difícil conseguirmos R$ 300 mil para contratar empresa que elabore o projeto executivo, do que conseguir os R$ 1.300.000,00 para executar a obra efetivamente. Segundo dados da Secretaria Municipal do Planejamento, para elaboração do projeto por empresa especializada, em torno de um ano”.

AN - Qual a importância dos dois prédios para São Nicolau e o seu acervo turístico? Algo a acrescentar?
Ana Paula – “A importância de ambos é gigante, pois foram construídos com pedras da antiga redução de São Nicolau. Estou desde fevereiro deste ano tentando reunir o histórico de ambos, como fotos, relatos, depoimentos, porém, descobri que as informações são escassas e vazias. Muito da história dos prédios se perdeu. Quero recuperar o que for possível e reuní-los em uma exposição, muito provavelmente em 2014, tentar recontar esta história. Aproveito este espaço para fazer um chamamento à comunidade que possua algo, ou alguma história ligada ao Sobrado ou a Casa de Pedra, que me procurem na Secretaria de Turismo, quero recuperar esta história junto com a comunidade, por que esta é uma história que pertence a cada cidadão são-nicolauense. Hoje, as duas construções podem ser visitadas, e rendem boas fotografias, porém, a medida que restauradas, as pessoas poderão reviver a história de cada um, e ganha a comunidade que terá sua história eternizada, para as futuras gerações”.

Sobrado da Família Silva
O Sobrado da Família Silva é uma obra de grande valor histórico e arquitetônico por ter sido construído todo com pedras da Redução. O Sobrado pertenceu ao coronel Inocêncio Silva, filho de açorianos, que foi coronel da Guarda Nacional. Segundo relatos, o Sobrado foi construído antes da guerra de 1914. O planejamento e execução da obra foram feito por dois engenheiros imigrantes da Polônia. O Sobrado foi cenário para recepções e reuniões festivas, acolheu visitantes ilustres e também serviu de palco para reuniões que culminaram com a Coluna Prestes.

Fonte:  http://www.anoticia.com/noticias/geral/id/4093/iphae-tomba-oficialmente-sobrado-da--familia-silva.html


quinta-feira, 24 de outubro de 2013

Exposição - O Rio do morro ao mar

Tem nome de rio esta cidade
onde brincam os rios de esconder.
Cidade feita de montanha
em casamento indissolúvel
com o mar.
(Carlos Drummond de Andrade. Retrato de uma cidade. [1930]?)

A motivação para o estudo do passado quase sempre nasce a partir de acontecimentos e questões com os quais nos deparamos no nosso presente e no nosso viver cotidiano. Às vezes, ao passarmos repetidamente em um lugar, despertamos também a vontade de estudá-lo e conhecer um pouco mais de sua história. Assim aconteceu com o lugar ocupado pelo morro do Castelo, onde ficavam os marcos de fundação e as construções mais antigas da cidade, da época em que o Brasil ainda era colônia, e que São Sebastião do Rio de Janeiro não passava de um pequeno povoado sobre um morro.
Como qualquer outra grande cidade do mundo, o Rio de Janeiro sofreu mudanças na sua geografia. A população se expandiu, tomou os morros e as praias para si, ocupou espaços livres e criou novos quando não havia mais para onde crescer. Em uma cidade espremida entre os morros e o mar, o espaço é objeto de disputa física, social, política, econômica e mesmo de memória. Nesse movimento de demolir para depois construir (e reconstruir), o Rio foi ganhando novos contornos, mas, ao mesmo tempo, apagando parte de sua história.
No momento em que a cidade se prepara para celebrar 450 anos de fundação em 2015, e sofre as intervenções que se julgam necessárias para tornar-se palco de importantes eventos internacionais em 2014 e 2016, nos lançamos à tarefa de refletir sobre como o Rio de Janeiro é marcado por extensas alterações no espaço geográfico, urbano e na paisagem, em ocasiões nas quais se torna protagonista da história nacional. Há mais de 90 anos, a então capital se planejava para celebrar o primeiro centenário da Independência do Brasil com uma grandiosa exposição internacional na qual representaria o progresso da jovem nação. Aproveitava-se o ensejo para concluir uma ação iniciada ainda na primeira década do século XX, de inserir o Rio na modernidade e eliminar o máximo possível os ranços de atraso ainda presentes nas ruas, morros e construções urbanas.
Se nas duas primeiras décadas dos novecentos o lugar privilegiado dessa transformação foi a região da avenida Central, nos anos de 1920 o foco era a perturbadora sombra do morro do Castelo, que teimava em obscurecer os avanços conquistados pelo bota-abaixo e pelas reformas da nova capital Belle-Époque durante o governo do prefeito Pereira Passos. A pretexto de melhorar a salubridade do ar, a circulação dos ventos marítimos e impedir a disseminação das epidemias que ceifavam sazonalmente uma parcela não pouco expressiva da população, desde o período joanino já se estudava a proposta de arrasamento do Castelo, local que no século XVI fora considerado seguro e estratégico por Estácio de Sá para estabelecer em definitivo a cidade de São Sebastião.
Nos anos 1920, o argumento da saúde pública é retomado com força, e não esconde a principal intenção do prefeito Carlos Sampaio e de sua equipe de engenheiros e sanitaristas: no ano em que se comemorava a Independência do Brasil urgia acabar, enfim, com aquela mancha no coração do Rio. Valiam-se dos argumentos e necessidades sanitaristas para remover do centro aquele aglomerado de casebres que se espremiam no topo e nas encostas do morro, entre um prédio e outro monumento colonial, "botando abaixo" e retirando das margens da moderna avenida e de seus belos prédios a pobreza e a desordem que não permitiam que o Rio se civilizasse.
Obra de avançada engenharia e de grande investimento levou mais de duas décadas para ficar pronta, e foi a responsável por tentar extinguir parte da região mais antiga do Rio e a memória de anos de domínio colonial entranhada nos seus prédios e casario. Apesar do sucesso, ainda que custoso, da empreitada, a guerra contra os morros da cidade não parou por aí. O próximo na lista dos indesejáveis era o morro de Santo Antônio, que sobreviveu aos anos seguintes, não sem alterações, mas acabou arrasado nos anos 1950, como marco urbanístico do Plano Agache. Em 1925, o largo da Carioca, que ficava aos pés do Convento de Santo Antônio, foi remodelado, o passado removido para abrir as portas ao futuro.
Enfim, com a aceleração das obras de desmonte do Castelo e de aterro da praia de Santa Luzia, a Exposição do Centenário da Independência foi aberta aos visitantes na data pátria em 1922. Apesar de várias novidades, como a iluminação elétrica que permitia a visitação noturna, a primeira transmissão de rádio no Brasil e sessões de cinema para os visitantes, na ocasião da inauguração havia palácios e pavilhões inacabados e alguns ainda mal começados. Ao longo dos dez meses aproximadamente em que esteve aberta para visitação, os últimos prédios já concluídos, a exposição atraiu um grande público desejoso de conhecer as belas construções e os avanços industriais do Brasil e de outras nações. No entanto, um fato que nos salta aos olhos é a ausência de menção aos acontecimentos de 1822 e a seus personagens principais, o que também não passou em branco para os homens daquela época, como o escritor Lima Barreto. Se a intenção dos republicanos era diminuir a importância dos anos de colônia e império, concentraram o foco das comemorações no presente "glorioso" que o país vivia e no futuro promissor para o qual apontava.
Para contar essa história, foram consultados dois fundos conservados pelo Arquivo Nacional. Da Comissão Executiva da Exposição do Centenário da Independência do Brasil vieram recibos e os diplomas da exposição, além de preciosas informações sobre a organização de um evento nacional e internacional tão grande.
O outro fundo, principal matéria-prima para esta exposição virtual, é o acervo do fotógrafo e empresário Marc Ferrez, e de seus filhos Júlio e Luciano. A família Ferrez foi uma das mais destacadas no ramo da fotografia e do cinema no país, pioneiros não somente nas técnicas fotográficas, como também no desenvolvimento de métodos e na importação e fornecimento de aparelhos e materiais para os profissionais que atuavam no Brasil, bem como os amadores praticantes da arte. O patriarca da família, Marc Ferrez, cujo nascimento perfaz 170 anos em 2013, foi e continua sendo um dos mais destacados fotógrafos brasileiros, que deixou registros valiosos sobre o Rio de Janeiro, célebre pelo seu talento e sensibilidade para capturar as paisagens mais belas da cidade, principalmente entre as duas últimas décadas do século XIX e a primeira do XX.
Seus filhos Júlio e Luciano, autores de praticamente todas as fotografias que compõem esta exposição, herdaram o ofício e o olhar atento para reconhecer os acontecimentos e transformações pelos quais a cidade e seus habitantes passavam naqueles anos. É graças à disposição de ambos de registrarem amiúde as obras de demolição e reconstrução na cidade em que nasceram, e de Gilberto Ferrez, neto de Marc, que se dedicou a preservar a história da família, que hoje podemos nos voltar para aquele tempo já muito ido e apre(e)nder uma parte dessa memória física e afetiva do Rio de Janeiro que andava um tanto esquecida.

Renata William Santos do Vale
Curadora

Fonte: http://www.exposicoesvirtuais.arquivonacional.gov.br/cgi/cgilua.exe/sys/start.htm?sid=252 



Canoa costeira do Maranhão recebe título de Patrimônio Cultural do Brasil

A canoa costeira maranhense, uma das embarcações artesanais típicas do nosso litoral, recebeu nesta quarta-feira (23) o título de Patrimônio Cultural do Brasil. Além dela, outros três tipos de embarcações tradicionais do Brasil receberam o mesmo título.
A embarcação tem quatro séculos de história. “Ela é um acúmulo de quatro séculos de experiência dos nossos homens do mar, que labutam no dia a dia, enfrentando correntezas pesadas e marés muito grandes, que é uma característica da nossa costa, realizando um trabalho que até hoje é importante para nossa comunidade. Temos milhares de famílias que ainda dependem dessa alternativa, ao longo de nosso extenso litoral, que é cheio de manguezais, reentrâncias. Muitos não têm outro meio de transporte e de subsistência que a utilização dessas embarcações”, explicou o conselheiro do Instituto de Patrimônio Histórico e Artístico Nacional (Iphan), Philippe Andrès.
Em 1986, havia uma estimativa de mais de 180 embarcações dessas no Maranhão. Hoje, são apenas 27, o que significa que elas estão correndo sérios riscos de desaparecimento. De acordo com o especialista, o risco de desaparecimento se dá por causa da vocação para o transporte de carga que foi diminuindo.
“Isso ocorre na medida em que surgem as estradas e o tráfego de caminhões, que leva a carga de porta a porta, mas isso, na nossa área, ainda é cedo para deixa acontecer. Temos populações isoladas, como na costa de Cururupu, onde não é mais possível construir estradas”, concluiu.


Fonte da matéria: http://defender.org.br/2013/10/24/canoa-costeira-do-maranhao-recebe-titulo-de-patrimonio-cultural-do-brasil/ 



Rio de Janeiro (RJ) – Mercadão de Madureira vira Patrimônio Cultural

Um dos maiores shoppings populares do país, o Mercadão de Madureira é o novo Patrimônio Cultural do Povo Carioca. O prefeito Eduardo Paes transformou em lei, conforme publicado nesta terça-feira no Diário Oficial, o Projeto 5.605, da vereadora Vera Lins (PP), reconhecendo o espaço — que completa cem anos em 2014 —, como uma das principais atrações da cidade. Tanto por causa do fervilhante comércio, quanto pelo fato de se tratar de um importante centro de preservação de tradições culturais e religiosas afro-brasileiras.
“Estamos muito orgulhosos. A lei só reafirma nosso potencial de trabalho, respeito e dedicação aos mais de 80 mil consumidores que visitam diariamente nossas 580 lojas, responsáveis por três mil empregos diretos”, afirma um dos lojistas e diretor do departamento de marketing do Mercadão, Horácio Carvalho Afonso. De acordo com ele, a expectativa é que com a Transcarioca (via que ligará a Barra da Tijuca ao Aeroporto Internacional) aumente o fluxo de visitantes em pelo menos 30% a partir de 2014.

Espírito carioca
Na justificativa para que seu projeto virasse lei, Vera Lins escreveu: “Trata-se de um pólo de convergência social, onde se misturam todas as camadas da população. O local é um lugar onde, com certeza, o espírito carioca sobrevive e está presente com as suas lutas e alegrias”.
Frequentadores de carteirinha concordam. “A gente não sai daqui. Pensamos em comprar alguma coisa, mas saímos sempre com algo a mais, graças, principalmente, à grande variedade do comércio e aos preços acessíveis”, disse a comerciária Renata Motta, 28, ao lado da prima, Viviana Motta, 29.

Endereço atual foi inaugurado pelo presidente Juscelino Kubitscheck
No Mercadão de Madureira tem de tudo, desde material escolar e brinquedos para qualquer data especial, até artigos de papelaria, doces e balas para festas como de São Cosme e Damião, Junina, Natal, Copa do Mundo e à fantasia.
“Graças aos nossos artigos, que não são apenas voltados para a umbanda, mas para todas a religiões, estamos resgatando as festas de final de ano em Copacabana, que devem celebrar a essência espiritual, mas estavam sendo engolidas pelos shows pirotécnicos”, diz Hélio Sillman, que vende mais de cinco mil itens em sua loja Mundo dos Orixás.
As lojas são passadas de pais para filhos. “Já tem gente da quarta geração aqui”, explica Célia Costa, de 84 anos, a mais antiga a lidar com plantas para uso medicinal, ornamental, místico ou religioso no local.
O Mercadão teve início em 1914, como feira livre, onde hoje está quadra da Império Serrano. Em 1929, já era o maior centro de distribuição de alimentos do subúrbio. Em 18 de dezembro de 1959, o presidente Juscelino Kubitschek inaugurou o novo endereço, onde se encontra até hoje. Em 2000, um incêndio destruiu as lojas, reconstituidas em 2001. Os horários de funcionamento estão em www.mercadaodemadureira.com Por Francisco Edson Alves

Fonte: O Dia

Fonte da matéria: http://defender.org.br/2013/10/24/rio-de-janeiro-rj-mercadao-de-madureira-vira-patrimonio-cultural/















O Mercadão de Madureira, com suas 580 lojas, recebe 80 mil consumidores por dia e gera 3 mil empregos diretos: tradição do subúrbio carioca. Foto: Carlo Wrede / Agência O Dia

segunda-feira, 21 de outubro de 2013

Partenon, a beleza da Grècia

O desenho abaixo mostra em detalhes a estrutura original do grande tesouro da Grècia, o Partenon.















Um dos edifícios mais famosos do mundo, O Pártenon foi encomendado por Péricles como parte de seu programa de obras. O trabalho começou em 447 a.C. quando o escultor Fídias foi incumbido de supervisionar a construção de um magnífico templo dórico para Atena, a deusa protetora da cidade. Foi erguido no local de templos arcaicos e destinado fundamentalmente a abrigar a Parthenos, de Fídias, uma impressionante estátua de Atena de 12 m de altura, coberta de marfim e ouro.
Tendo levado apenas nove anos para ser concluído, o templo foi dedicado à deusa durante as Grandes Panatenéias de 438 a.C. Projetado e construído em mármore pentélico pelos arquitetos Calícrates e Ictino, o Pártenon tem um projeto complexo que substitui linhas retas por curvas leves. Acredita-se que isso foi feito para evitar a distorção visual ou talvez para aumentar a sua grandiosidade. Todas as colunas engrossam na metade e se inclinam suavemente para dentro, enquanto a plataforma de fundação se levanta em direção ao centro.
Para fazer os frontões e os frisos que acompanham o perímetro do templo, foi contratado um exército de escultores e pintores. Agorácito e Alcâmenes, ambos discípulos de Fídias, são dois dos artistas que trabalharam no friso e talharam as pessoas e os cavalos da panatenéia.
Apesar dos danos e das alterações sofridas -- que incluem uma igreja, uma mesquita e até um arsenal--, o Pártenon se mantém majestoso até hoje e é um poderoso símbolo das glórias da antiga Grécia. Atualmente está sendo restaurado. 

Fonte: http://estudantesdearquitetura.com.br/ 

O vídeo abaixo mostra os segredos do Partenon:


Fortaleza (CE) – Palácio da Luz passará por obra de restauração

Uma das edificações históricas do Centro Antigo de Fortaleza, o Palácio da Luz, deve passar por reforma ainda neste ano. A biblioteca do prédio, que abriga obras raras e valiosas da literatura cearense, será a primeira a receber as ações de restauração e melhoria previstas para o Palácio – que também abriga a Academia Cearense de Letras (ACL).
Conforme o ex-ministro do Tribunal de Contas União (TCU), Ubiratan Aguiar, membro da ACL, os recursos para a reforma da biblioteca foram captados através da Lei Jereissati, norma estadual de fomento à cultura por meio de incentivos fiscais. “Conseguimos arrecadar R$ 230 mil que serão utilizados para recuperar as instalações, restaurar alguns livros e informatizar o acervo”, explica Ubiratan. A previsão, diz o ex-ministro, é que a biblioteca esteja em funcionamento no início de 2014.
A reforma do setor é apenas uma parte do projeto maior que prevê a requalificação do Palácio da Luz, edificação do século XIX que abriga parte da história política do Estado. “Há cerca de quatro anos levei a ideia da reforma do Palácio para à Academia Cearense de Letras, da qual sou membro, e iniciamos a elaboração do projeto”, destaca Ubiratan Aguiar.
A iniciativa para a requalificação completa do Palácio da Luz está orçada em mais de R$ 2 milhões e inclui a restauração e a capacitação do prédio, deixando-o em condições de uso para o público. A proposta foi levada até o Ministério da Cultura (MinC) e, por meio da Lei Rouanet de incentivo à cultura, teve uma parte aprovada em 2012.
“O Ministério da Cultura autorizou a captação de recursos para os serviços de restauração, que estão orçados em R$ 1 milhão e 400 mil, e incluem reparos em infiltrações e rachaduras”, explica o engenheiro civil e produtor cultural Olímpio Rocha, responsável pela elaboração do projeto.
A outra parte do documento, que aguarda aprovação do MinC, inclui as obras de requalificação do Palácio, como a instalação de aparelhos de ar condicionado, construção de banheiros, reforma no teto e informatização dos arquivos.
Apesar de conseguir a validação de parte do proposta junto ao Minc, os idealizadores da reforma têm encontrado dificuldades para captar as verbas necessárias às melhorias. “Nos reunimos com o BNB e a Caixa, mas ainda estamos sem respostas”, enfatiza Olímpio Rocha.
De acordo com Olímpio Rocha, o presidente da Academia Cearense de Letras, Pedro Henrique Saraiva Leão, se articulou com as bancadas federal e estadual do Ceará. Os parlamentares prometeram destinar parte de suas emendas à execução da obra no Palácio.

Patrimônio
Situado na rua Sena Madureira, como uma extensão da Praça General Tibúrcio – também conhecida como Praça dos Leões – o Palácio foi construído no século XIX para abrigar a residência do capitão-mor Antônio de Castro Viana. Posteriormente, o edifício ficou sob o domínio da Câmara Municipal até passar para o Estado, em 1814.
Em 1975, transformou-se em Casa de Cultura Raimundo Cela. Hoje, tombada por decreto estadual, a edificação abriga cerca de 14 academias ligadas à arte e cultura, como a Academia Cearense de Letras (ACL), a mais antiga do Brasil.

Projeto maior quer tombar o quarteirão
Além do projeto de reforma do Palácio da Luz, os membros da Academia Cearense de Letras estão trabalhando em uma proposta maior com o objetivo de tombar o quarteirão em que está localizado o prédio. Na área estão construções importantes para a memória da Capital, como o Museu do Ceará, a Igreja do Rosário e a Praça dos Leões, além de outros prédios.
A intenção, segundo Ubiratan Aguiar, é fazer com que a região se transforme em um polo cultural e receba desde galerias de arte até apresentações de música e teatro. As propostas visam também promover a revitalização do Centro. Por Jéssica Colaço 


Fonte da matéria: http://defender.org.br/2013/10/21/fortaleza-ce-palacio-da-luz-passara-por-obra-de-restauracao/ 














Localizado no Centro de Fortaleza, o prédio hoje é tombada por decreto estadual e abriga cerca de 14 academias ligadas à arte e cultura, como a Academia Cearense de Letras, a mais antiga do Brasil. Foto: Kid Júnior

Ouro Preto (MG) – Abertas as inscrições para o 2° Seminário de Ofícios: Saberes e Fazeres

Com o tema Faop 45 anos em Ouro Preto, a segunda edição do Seminário de Ofícios: Saberes e Fazeres – do tradicional ao contemporâneo acontece de 4 a 9 de novembro. O evento é uma realização da Fundação de Arte de Ouro Preto | Faop e marca as comemorações dos 45 anos da fundação.
O Seminário, voltado para profissionais da construção civil, arquitetos, restauradores, artesãos, designers, artistas plásticos e demais interessados em ofícios tradicionais e contemporâneos, é um espaço de valorização da identidade coletiva e uma oportunidade para reunir ofícios tradicionais da região, promovendo vivências e trocas da comunidade junto aos mestres e artesãos.
As inscrições acontecem a partir de 14 de outubro e se estendem até completarem as vagas disponíveis. O investimento é de R$20,00 e confere ao participante a realização de uma oficina de sua escolha.


Confira a programação:
Credenciamento
4 de novembro | segunda-feira | 13h às 14h
Local:
Núcleo de Ofícios | Faop – Rua Dom Helvécio, 428, Bairro Cabeças, Ouro Preto/MG
Conferência de Abertura
Kátia Fonseca | Faop

4 de novembro  | segunda-feira | 14h
Local:
Núcleo de Ofícios | Faop – Rua Dom Helvécio, 428, Bairro Cabeças, Ouro Preto/MG
Oficinas
Local: Núcleo de Ofícios | Faop – Rua Dom Helvécio, 428, Bairro Cabeças, Ouro Preto/MG
Cestaria
Carlos Aurélio de Carvalho
4 a 7 de novembro | segunda a quinta-feira | 14h às 17h
Lutheria
Sérgio Barbosa
4 a 7 de novembro | segunda a quinta-feira | 14h às 17h
Marcenaria
Antônio Euzébio
4 a 7 de novembro | segunda a quinta-feira | 14h às 17h
Tapetes
Cleuza Ulhôa
4 a 7 de novembro | segunda a quinta-feira | 14h às 17h
Embalagens para artesanato
Daniele Menezes Martins
4 a 7 de novembro | segunda a quinta-feira | 14h às 17h
Parede de Estuque e Tabique
Sérgio Norberto e Ronaldo Martins
8 de novembro | sexta-feira | 18h às 21h e
9 de novembro | sábado | 8h às 12h e 14h às 18h
Roda de Conversa
8 de novembro | sexta-feira | 14h
Antônio Euzébio, Carlos Aurélio de Carvalho, Cleuza Ulhôa, Daniele Menezes Martins e Sérgio Barbosa
Mediação: Ana Pacheco | presidente Faop
Mostra dos trabalhos nos ateliês e confraternização
Exposição das peças, resultantes do trabalho executado por todos os participantes, em um ambiente que evidencia os valores e as histórias dos Mestres.
Local:
Núcleo de Ofícios | Faop
Fonte: FAOP 

Fonte da Matéria: http://defender.org.br/2013/10/21/ouro-preto-mg-abertas-as-inscricoes-para-o-2-seminario-de-oficios-saberes-e-fazeres/ 


7º SEMINÁRIO INTERNACIONAL EM MEMÓRIA E PATRIMÔNIO

ENCONTRO NACIONAL DE PROGRAMAS DE PÓS-GRADUAÇÃO NO CAMPO DA MEMÓRIA E PATRIMÔNIO

Convenção do Patrimônio Imaterial: 10 anos depois [2003-2013]

O conceito de patrimônio e em particular o de patrimônio cultural, proposto pela UNESCO, é resultado de processos complexos de negociações políticas nacionais e internacionais. Os processos de constituição do patrimônio se fazem acompanhar por representações normativas e por vezes conflitivas da cultura e diversidade.
O patrimônio cultural, tal como aborda a UNESCO, se apresenta como um patrimônio nacional, o que leva a questionar os objetivos, a eficácia e a maneira como o Estado se posiciona diante dele.
Como promotora do patrimônio cultural imaterial, a UNESCO desempenha um papel essencial no movimento de extensão e universalização do campo patrimonial. Com a Convenção para a Salvaguarda do Patrimônio cultural imaterial de 2003, a noção de patrimônio avança para um vasto conjunto de práticas sociais no qual a diversidade de suportes, expressões, sentidos, tipologias, se entrecruzam e potencializam outras tantas expressões patrimoniais.
O discurso oficial da UNESCO busca, ao expandir o patrimônio para além de suas expressões materiais ou da cultura dita erudita, amplia-lo para domínios da cultura vernacular, das expressões de culturas ditas subalternas e de valores que transcendem a afirmação da Nação.
Do patrimônio mundial ao nacional, passando por patrimônios locais e reivindicações patrimoniais associadas a grupos e minorias, o fio condutor é a ideia de herança a preservar, ideia essa já manifesta em documentos oficiais da UNESCO nos anos 1970, o que fez avançar da noção de patrimônio em sentido mais restrito para processo de patrimonialização no qual atores, sujeitos, valores e dispositivos de reconhecimento e salvaguarda são colocados em interação.
A Convenção de 2003 da UNESCO veio, portanto, trazer o tema da diversidade associado ao da necessidade de salvaguarda, num contexto de pós-colonialismo, neocolonialismo e mundialização. A defesa das culturas "locais" frente aos efeitos corrosivos da "tendência cosmopolita" está na base dos princípios de valorização de expressões culturais cada vez mais associadas aos contextos locais.
Nesse 7º SIMP pretende-se propor discussões sobre formas nacionais e locais de expressão e gestão patrimonial, abordando os impactos e reflexos da Convenção da UNESCO de 2003 nos diferentes contextos nacionais. Como principio fundamental adotamos a ideia de tratar experiências patrimoniais que envolvam tanto o patrimônio imaterial quanto o material, o intangível e o tangível, entendendo que certas manifestações, como o caso do patrimônio religioso no México, são pontos de convergências dessas duas dimensões.

Realizado entre os dias 6 e 8 de novembro de 2013, na cidade de Pelotas (RS), pelo Programa de Pós-graduação em Memória Social e Patrimônio Cultural – PPGMP – da Universidade Federal de Pelotas – UFPel. Este ano a temática é “Convenção do Patrimônio Imaterial: 10 anos depois [2003-2013]“.

O evento receberá comunicações nos seguintes eixos temáticos
1) Ciência e preservação: a tecnologia como ferramenta para a conservação do patrimônio.
2) Fotografia, cultura material e patrimônio imaterial
3) Direito, Políticas Públicas e Justiça na tutela de Bens Culturais
4) Arquitetura e Patrimônio
5) Patrimônio Material: histórias e inventários
6) Patrimônio e Museus: interfaces necessárias
7) Lembrar, esquecer, narrar
8) O Patrimônio Cultural Imaterial e suas normativas e instituições patrimoniais na América Latina
9) Paisagem e cultura: patrimônio, turismo e memória

Fonte:  http://simp.ufpel.edu.br/7/v04-01/index.php





domingo, 20 de outubro de 2013

Um Debret pouco conhecido

No final da década de 1930, o colecionador Raymundo Ottoni de Castro Maya adquiriu um conjunto de obras originais de Jean-Baptiste Debret (1768-1848), o mais conhecido dos pintores que integraram a missão artística francesa que retratou o Brasil-Colônia e o reinado de D. Pedro I.

O artista ficou conhecido por ter elaborado alguns dos retratos mais célebres do Rio de Janeiro colonial e do dia-a-dia da capital da América portuguesa nos tempos da corte, mas o acervo de Castro Maya revelava uma parte menos conhecida do catálogo de Debret: suas obras sobre o sul e sudeste do Brasil.

Agora, essas pinturas e desenhos estão em destaque na mostra Viagem ao Sul do Brasil, em exibição na Caixa Cultural Bahia.

As obras em questão foram produzidas quando o pintor acompanhou a comitiva imperial que, em 1827, percorreu os estados de São Paulo, Paraná, Santa Catarina e Rio Grande do Sul: paisagens costeiras, retratos da Mata Atlântica e a convivência entre índios, portugueses e africanos.

Há também obras que dedicadas à vida na corte, no Rio de Janeiro, capturando a pompa dos nobres e o cotidiano dos habitantes da capital.

DEBRET – VIAGEM AO SUL DO BRASIL. Onde: Caixa Cultural Salvador, rua Carlos Gomes, 57, Centro, Salvador (BA). Quando: de terça-feira a domingo, das 9h às 18h. Quanto: grátis. Contato: (71) 3421-4200.

Fonte: http://www2.uol.com.br/historiaviva/noticias/um_debret_pouco_conhecido.html 

Exposições e conferências sobre o Parque Nacional da Serra da Capivara

O evento Serra da Capivara: os Brasileiros com Mais de 50 Mil Anos acontece em Brasília, de 2 de outubro a 15 de dezembro de 2013, sobre o Parque Nacional da Serra da Capivara (Piauí), inscrito na lista do Patrimônio Mundial da UNESCO e abriga um dos mais ricos sítios arqueológicos do mundo.
O evento engloba duas exposições: uma é parte da coleção do Museu do Homem Americano (que fica em São Raimundo Nonato, PI), e outra de cerâmicas feitas pelos moradores das cercanias do Parque; além de um ciclo de conferências com especialistas internacionais organizado por várias instituições, que promoverá as discussões mais atuais sobre arqueologia, turismo, gestão de áreas protegidas, gestão de patrimônio natural e inclusão produtiva de populações vizinhas. 

















Belém recebe Igreja de São João Batista restaurada

Inaugurada em 1622, ainda em taipa e palha, e reinaugurada em 1777 com características do tardo-barroco italiano, projetada pelo arquiteto Antônio Landi, a igreja de São João Batista será entregue restaurada à comunidade de Belém, no Pará, pelo Instituto do Patrimônio Histórico e Artístico Nacional (IPHAN). O evento que acontece no próximo dia 03 de outubro, às 19h, contará com a presença da presidenta do IPHAN, Jurema Machado, e do Arcebispo de Belém, Dom Alberto Taveira.
As obras de restauro e conservação do templo, um investimento de R$ 870 mil, começaram em fevereiro deste ano, contando com o trabalho de mais de 20 profissionais, entre engenheiros, operários e auxiliares de restauro. A cobertura e pinturas parietais (na própria parede) – que constituem os retábulos mor – e da nave foram restauradas e ações de conservação foram realizadas em bancos e pintura, bem como adequação de banheiro para melhor acessibilidade.
As pesquisas de pinturas realizadas pelo IPHAN na parede posterior da capela-mor, em 1988, confirmaram a existência das pinturas parietais em perspectiva, mas apenas em 1996, com a abertura de novas prospecções, foi possível constatar, sob seis camadas de pintura, a integridade do painel.
O templo tombado pelo IPHAN em 1941 está localizado no conjunto dos bairros Cidade Velha e Campina, área também tombada pelo IPHAN em 2012 por seu valor arquitetônico, urbanístico e paisagístico.

Antonio José LandiAntonio José Landi era arquiteto, membro de uma das mais renomadas escolas de arquitetura da Europa, a Academia Clementina. Aos 37 anos veio para o Brasil, contratado como desenhista da Comissão de Demarcação de Fronteiras entre Portugal e Espanha na América do Sul, instituída pelo rei de Portugal, Dom João V.
A introdução das obras monumentais de autoria de Landi em Belém ocorreu em meados do século XVIII, alterando significativamente a feição modesta que a cidade apresentava. As duas únicas igrejas totalmente projetadas por Landi, Santana e São João Batista, são mencionadas como seus trabalhos preferidos. Restauradas, essas obras perpetuam as contribuições, a arte e o gênio do arquiteto para a cidade de Belém.

Serviço:
Cerimônia de reabertura da Igreja de São João Batista
Data:
03 de outubro de 2013, às 19h
Local: Igreja de São João Batista
          Largo de São João, esquina com Tomázia Perdigão
          Cidade Velha, Belém-PA

Informações para a imprensa: Jorge Sauma
Telefone: (91) 8059-0000/ 9166-1068
E-mail: sauma@gabycomunicacao.com.br
Fonte: Ascom-IPHAN/PA 

Fonte: http://portal.iphan.gov.br/portal/montarDetalheConteudo.do?id=18010&sigla=Noticia&retorno=detalheNoticia




quinta-feira, 17 de outubro de 2013

Banda Municipal vira Patrimônio Histórico e Cultural de Porto Alegre

No ano em que completa 88 anos de fundação, a Banda Municipal virou Patrimônio Histórico e Cultural de Porto Alegre. Em votação unânime na Câmara, na tarde desta quarta-feira, foi aprovado o projeto de lei do vereador Bernardino Vendruscolo (PROS).

— Com isso, temos a garantia de que a banda não será extinta — explica Isaias Mewius, 1º secretário da Associação da Banda Municipal de Porto Alegre (Abampa).

Sem sede desde que deixou o Auditório Araújo Vianna, em 2006, a banda está desfalcada e quase sem apresentações. Em 2012, por exemplo, os músicos tocaram apenas quatro vezes em apresentações oficiais, segundo dados do Sindicato dos Municipários de Porto Alegre (Simpa). 

Fonte: http://zerohora.clicrbs.com.br/rs/cultura-e-lazer/segundo-caderno/noticia/2013/10/banda-municipal-vira-patrimonio-historico-e-cultural-de-porto-alegre-4303025.html 















Foto: Tadeu Vilani / Agencia RBS

Governo do Estado publica notificação de tombamento do Centro Histórico de Santo Ângelo (RS)

Foi publicado, no Diário Oficial do Estado desta quarta-feira (16), a notificação de tombamento do Centro Histórico de Santo Ângelo. O tombamento abrange um quadrilátero formado pelas ruas 15 de Novembro, Sete de Setembro, Marechal Floriano e a Avenida Rio Grande do Sul, nas redondezas da Praça Pinheiro Machado.
De acordo com a arquiteta do Instituto do Patrimônio Histórico e Artístico do Estado (Iphae), Marília de Lavra Pinto, a medida foi tomada depois de solicitação da Oscip Defender e com participação do Ministério Público, em função do valor histórico da área onde se encontra o Sítio Arqueológico da Redução de Santo Ângelo Custódio.
Segundo Marília, foi feito todo um inventário parcial por uma equipe da Prefeitura de Santo Ângelo no governo anterior, com assessoramento do Iphae. “Nós analisamos os documentos encaminhados até nós entre 2012 e 2013, indicando os prédios históricos mais importantes. Temos conhecimento que o inventário não está completo ainda, mas efetivamos essa ação em virtude de intervenções que vêm acontecendo nesta área, como a construção de um novo prédio perto da prefeitura fora dos padrões de volumetria. Queremos com essa medida resguardar os prédios antigos e também os que utilizaram pedras da redução missioneira, e estabelecer regras às novas edificações que possam ser feitas dentro do que determina o Iphae”, explica.

Processo de Tombamento
Os proprietários de imóveis particulares localizados nessa área têm 30 dias para contestar o edital de tombamento do Centro Histórico de Santo Ângelo. A partir da contestação, uma equipe jurídica da Secretaria Estadual de Cultura vai avaliar se procede ou não a contestação. Não havendo procedência será feito o tombamento definitivo com a publicação de portaria no Diário Oficial do Estado e posterior inscrição no Livro Tombo do Instituto.
Apesar desse processo, a partir da atual publicação, qualquer intervenção que algum proprietário precise fazer no seu prédio deverá apresentar projeto para o Iphae, no sentido de obter autorização.

O que muda 
A arquiteta do Instituto do Patrimônio Histórico e Artístico do Estado (Iphae), Marília de Lavra Pinto, explica que a partir do tombamento será feito um estudo da área determinando os pontos com maior importância histórica, assim como o aspecto arquitetônico. “De acordo com cada peculiaridade, serão estabelecidos diferentes graus de preservação. Até mesmo os prédios modernos que necessitarem de qualquer intervenção, seja na parte arquitetônica ou no solo, o proprietário deverá apresentar projeto para avaliação do Instituto. O tombamento não vai impedir intervenções nesta área como um todo, apenas em casos especiais, quando o prédio tiver uma relevância histórica e arquitetônica. No entanto estabelece normas que devem ser seguidas por qualquer empreendimento”, explica.
Marília lembra que os proprietários deverão seguir as orientações do Iphae, levando em consideração o regramento volumétrico no que se refere às dimensões como, por exemplo, a altura dos prédios. “Há diferentes graus de proteção para as edificações individuais, conforme a sua importância para preservação, ou adequação para novas construções”, esclarece.

Incentivos
A servidora do Iphae explica ainda que, a partir do tombamento, os proprietários dos prédios, localizados no Centro Histórico, poderão obter benefícios da Lei de Incentivo à Cultura, por meio de recursos da iniciativa privada. Por se tratarem de prédios particulares, apenas em casos especiais o Estado poderá conceder incentivos, desde que o imóvel tenha uma grande relevância histórica.
“Os bens de maior relevância histórica e cultural poderão obter recursos através das leis de incentivo em caso de restauração ou obras para conservação, e também o município poderá contribuir com a isenção de IPTU ou outros incentivos fiscais”, explica ela. Por Cristiano Devicari

Fonte: http://defender.org.br/2013/10/17/governo-do-estado-publica-notificacao-de-tombamento-do-centro-historico-de-santo-angelo-rs/ 















Área abrange quadrilátero formado pelas ruas 15 de Novembro, Sete de Setembro, Marechal Floriano e a Avenida Rio Grande do Sul, nas redondezas da Praça Pinheiro Machado. Foto: Arquivo/JM

 


 

segunda-feira, 14 de outubro de 2013

Conhece os monumentos do Rio? Veja mapa com obras catalogadas

O Rio de Janeiro já foi capital da República, e os monumentos da cidade contam boa parte dessa história. São mais de 1 mil catalogados pela prefeitura, mas nem quem visita a cidade nem os próprios cariocas sabem quem é o homenageado em muitas dessas praças e chafarizes. E essas personalidades do passado costumam ainda ser alvo de vândalos.

Veja aqui o site com os monumentos catalogados pela Prefeitura do Rio
Uma volta pelas ruas do Rio de Janeiro ou uma volta ao passado? É só caminhar um pouco  para encontrar esculturas espalhadas pela cidade: uma aula de história para quem passa.
Lá no alto a imagem que marcou a independência do Brasil, mas quem é mesmo o homem em em cima do cavalo? “Não sei, não”, admitiu um pedestre.
“Eu sei que é um índio, né?”, arriscou a auxiliar de serviços gerais Adélia de Souza, que ficou surpresa ao ser informada pela reportagem que se tratava, na verdade, de Dom Pedro I.
A Prefeitura do Rio está fazendo um levantamento das obras expostas a céu aberto. Ao todo são 1,1 mil monumentos. Entre eles, uma relíquia do século XVI. Mas no lugar de água, sobra lixo no chafariz. “Nunca vi sair água daí, não”, disse um pedestre. “Tem que ter mais carinho, mais respeito com as coisas”, falou outro.
Um dos principais cartões-postais do Rio, a Praia de Copacabana, é também o endereço de uma das esculturas mais famosas da cidade. Mas nem por isso a estátua de Carlos Drummond de Andrade escapa dos atos de vandalismo. Os óculos do poeta já foram roubados oito vezes, desde que o monumento foi inaugurado há 11 anos. Cada óculos reposto custou R$ 3 mil. Uma câmera de vigilância da prefeitura fica de olho 24 horas por dia no poeta, que também está sempre sob os olhares atentos dos turistas e suas máquinas fotográficas.
“Eu sou turista e nem por isso eu olho para algo desse tipo como se não fosse parte, entendeu? Eu estou longe, mas faz parte de mim”, disse a professora Andréa Nunes. “Tem que cuidar”.
Maximilian fala com conhecimento de causa: vida de estátua não é nada fácil. “As [estátuas] imóveis acho que sofrem um pouquinho mais, né? Por causa da depredação”, disse o artista de rua Maximilian Oliveira.
Só a estátua de Zumbi dos Palmares  chegou a ser pichada 23 vezes em um único ano. Até o Cristo Redentor já foi alvo de pichações.
Manter os monumentos limpos e conservados tem custo alto para os cofres públicos do Rio. Por ano são gastos R$ 2,5 milhões. Melhor seria se não fossem alvos de depredação. A cidade e os homenageados agradeceriam.

Fonte: http://g1.globo.com/bom-dia-brasil/noticia/2013/10/conhece-os-monumentos-do-rio-veja-mapa-com-obras-catalogadas.html 















O poeta Carlos Drummond de Andrade, um dos diversos monumentos do Rio de Janeiro