segunda-feira, 29 de julho de 2013

UFRJ e Iphan poderão recuperar o patrimônio histórico em Cabo Frio, RJ

Especialistas da Universidade Federal do Rio de Janeiro (UFRJ) e do Instituto do Patrimônio Histórico e Artístico Nacional (Iphan) foram convidados para debater a recuperação de monumentos em Cabo Frio, na Região dos Lagos do Rio. A primeira reunião de trabalho com técnicos da secretaria Municipal de Cultura será na próxima quarta-feira (31), no auditório da prefeitura, a partir das 17h.
O objetivo é realizar um conjunto de ações de preservação e investigação científico-cultural. O foco principal do encontro será a Fazenda Campos Novos, que fica no Segundo Distrito de Cabo Frio. O conjunto arquitetônico do final do século XVII, composto pela casa-grande, a igreja de Santo Inácio e o cemitério, foi tombado em 2003 pelo Instituto Estadual do Patrimônio Artístico e Cultural (Inepac).

Fonte: http://g1.globo.com/rj/regiao-dos-lagos/noticia/2013/07/ufrj-e-iphan-poderao-recuperar-o-patrimonio-historico-em-cabo-frio-rj.html 

















Fazenda Campos Novos, no Segundo Distrito de Cabo Frio, será tema do encontro (Foto: Divulgação)

Casarões históricos ameaçam desabar em João Pessoa

Uma das formas de se contar a história de uma cidade é através de seus prédios e construções, mas no Centro Histórico de João Pessoa 12 imóveis correm risco iminente de desabar. Eles estão entre os 60 prédios em situação precária de conservação, catalogadas pelos três organismos de preservação patrimonial que atuam na Paraíba: a Coordenadoria do Patrimônio Cultural de João Pessoa (Copac-JP), o Instituto do Patrimônio Histórico e Artístico do Estado da Paraíba (Iphaep) e Instituto do Patrimônio Histórico e Artístico Nacional (Iphan).
As informações são do diretor técnico da Superintendência do Iphan na Paraíba, Umbelino Peregrino. Segundo ele, o levantamento foi iniciado em 2006, quando foram identificados 87 imóveis em situação precária de conservação. Desde então, parte destas edificações passou por intervenções, realizadas pelos proprietários, o que ocasionou a redução da quantidade para 60 edificações. “Apesar de todo o esforço que se fez para diminuir esse número, ainda é uma quantidade considerável”, afirmou Peregrino.
Ainda de acordo com o diretor técnico do Iphan na Paraíba, após o levantamento, uma ação civil pública foi movida pelo Ministério Público Estadual, com o objetivo de cobrar providências, por parte dos proprietários, no que se refere à recuperação das edificações.
Umbelino Peregrino informou que, periodicamente, são feitas vistorias, por técnicos dos três  órgãos de preservação patrimonial que atuam no Estado (Coopac, Iphaep e Iphan), com o intuito de reavaliar a situação dos imóveis e encaminhar as informações ao MPE.
“Essa interlocução com os proprietários tem sido muito difícil. São imóveis que têm demandas judiciais, que são fruto de herança, de litígio. Muitas vezes, temos de dificuldade até de identificar quem são os proprietários”, declarou.
Os ‘casarões’ em situação de maior precariedade estão localizados, segundo o diretor técnico do Iphan, em localidades como: Rua das Trincheiras, em frente à Câmara Municipal de João Pessoa; Avenida Duque de Caxias; Rua João Suassuna, no Varadouro; Avenida Monsenhor Walfredo Leal e Praça Dom Adauto.
“O tombamento não implica em perda de titularidade. É apenas um ato jurídico de proteção do imóvel. A responsabilidade de manutenção é do dono”, destacou Peregrino. Ele informou ainda que, antes de ser submetido a uma intervenção ou reforma, o imóvel localizado dentro da área tombada da cidade tem que passar pelo crivo do organismo responsável pelo tombamento.
“Nós temos normas para que esse bem não venha a sofrer modificações, dependendo do nível de avaliação que foi feito nele (que varia da ‘demolição possível’ à ‘preservação total’), pode até ser demolido. Mas, desde que seja avaliado”, observou Umbelino Peregrino.

Alfândega sob risco
Entre os imóveis catalogados em situação de risco, somente um é tombado individualmente pelo Iphan: o prédio da antiga Alfândega, localizado no Porto do Capim, que é de propriedade da União. Os demais estão localizados dentro da área de tombamento estadual e federal – o Centro Histórico de João Pessoa –, de acordo com o diretor técnico do Iphan na Paraíba, Umbelino Peregrino.
Outro imóvel, onde funcionava a administração da Alfândega, localizado na mesma rua e também patrimônio federal, já foi restaurado pelo Iphan. “O Iphan consolidou esse imóvel e falta somente ocupação e uso. Os dois imóveis serão requalificados, para ter uma utilização”, revelou o diretor técnico do Iphan.
Umbelino Peregrino explica que a intervenção pelo Iphan só foi realizada porque os imóveis são de propriedade da União. “O que não pode é a gente fazer obra no (imóvel) particular”, completou o diretor técnico do Iphan na Paraíba.

Tombamento
Umbelino Peregrino explicou ainda que o tombamento é uma figura jurídica que protege determinado bem de natureza material, com base em legislação específica (Decreto-Lei nº 25, de 1937). Curiosamente, de acordo com o diretor técnico do Iphan na Paraíba, a data de construção do imóvel não é levada em consideração como critério primordial para o tombamento.
Ele explica que, entre os critérios adotados para o reconhecimento de um bem imóvel, por um órgão de proteção, estão: o grau de representatividade histórica; o simbolismo (para a cidade, estado, nação ou para o mundo) ou até uma peculiaridade, como no caso da antiga ‘Fábrica de Vinhos Tito Silva’, na Rua da Areia, no Varadouro, onde atualmente funciona a Oficina-Escola.
Segundo Peregrino, naquele caso específico, o reconhecimento do imóvel se deu “muito mais pela importância da tecnologia de fabrico do vinho, ou seja, tecnologia patrimonial, do que pelo próprio imóvel, que é um imóvel eclético”.

Fonte: http://g1.globo.com/pb/paraiba/festa-das-neves/2013/noticia/2013/07/casaroes-historicos-ameacam-desabar-em-joao-pessoa.html 










Na Rua João Suassuna são muitos os casarões em condições precárias (Foto: Juliana Brito/G1)
















Alguns casarões já não têm sequer o teto
(Foto: Juliana Brito/G1)


 














O prédio da antiga alfândega foi recuperado e está
prestes a ter sua reforma concluída
(Foto: Juliana Brito/G1)

















Até mesmo o prédio vizinho à Oficina Escola está
em condições precárias (Foto: Juliana Brito/G1)

Varsóvia celebra 60 anos da reconstrução de seu centro histórico

Nacho Termiño.
Varsóvia, 25 jul (EFE).- Varsóvia lembra nesta semana o 60° aniversário do início da reconstrução de seu centro histórico, arrasado na Segunda Guerra Mundial e reerguido em um processo que foi marcado por enfrentamentos entre partidários da construção de uma nova cidade e os que defendiam recuperação do esplendor do passado.
Hoje, poucos poderiam imaginar que os edifícios deste bairro da capital polonesa foram levantados, em sua maioria, há não mais do que 60 anos, no esforço coletivo de um país que queria deixar para trás, o mais rápido possível, as lembranças da guerra.
Cerca de 90% deste distrito foi destruído durante o conflito pelos ataques dos nazistas e pelo Exército Vermelho, incluindo o Palácio Real de Varsóvia, símbolo da antiga monarquia da Polônia, a praça do mercado, a catedral de São João e a muralha medieval.
A primeira fase de reconstrução, que começou em julho de 1953, aconteceu empregando os próprios escombros quando era possível e seguindo como modelo antigas pinturas e trabalhos de arquitetos e artistas prévios à guerra, sempre sob supervisão do então recém imposto governo comunista.
De fato, o processo de reconstrução de Varsóvia enfrentou os partidários da construção de uma nova cidade seguindo os patrões comunistas e os que preferiam uma reconstrução da cidade antiga.
Finalmente, houve um ponto em comum e parte do centro histórico da capital foi reconstruída seguindo o modelo de 1939, embora com uma austeridade e uma urgência que esqueceram o esplendor barroco e o neoclássico que um dia fizeram parte dos edifícios arrasados.
'Realmente, o amor dos moradores de Varsóvia por esta parte da cidade era tal que duvido que alguém pudesse impor um projeto de reconstrução diferente', explicou à Agência Efe o arquiteto polonês Pawel Nowak.
O desejo de conservar esse esplendor ficou, assim como a necessidade e a penúria, como lembra Nowak, já que, no final de 1945, quase meio milhão de pessoas já viviam em Varsóvia, das quais mais de 100 mil se encontravam em condições miseráveis e uma urgente necessidade de moradia.
O resultado é hoje um casco histórico, 'Stare Miastro' em polonês, visitado todos os anos por milhares de turistas que, junto com os locais, desfrutam das cafeterias na praça do mercado, das várias galerias de arte e de um espaço que nada tem a ver com o resto da cidade, em sua maioria uma mistura de blocos comunistas e novos edifícios.
Por isso agora, 60 anos depois do início da primeira fase dos trabalhos de reconstrução, a prefeitura de Varsóvia quer que os visitantes saibam como o bairro, declarado Patrimônio da Humanidade pela Unesco em 1980 como exemplo de reconstrução, foi revitalizado.
Exposições, documentários, concertos e visitas guiadas são alguns dos atos que a cidade oferece nestes dias, tudo para lembrar que nem os bombardeios da Luftwaffe e da artilharia alemã em 1939, os bombardeios da aviação soviética em 1942 e 1943 e a destruição sistemática realizada pelos nazistas durante sua retirada puderam acabar com o espírito de Varsóvia. EFE
 
 Fonte: http://g1.globo.com/mundo/noticia/2013/07/varsovia-celebra-60-anos-da-reconstrucao-de-seu-centro-historico.html 
 
 
 

Os proibidões da rainha

Livros raros da Biblioteca de D. Maria I estão sendo recuperados. Mesmo após sofrerem censura, títulos sobreviveram nas estantes da realeza

Janine Justen

Uma Bíblia em espanhol, quando não era permitido traduzi-la para nenhum outro idioma além do latim; editais de censura do Rei José I, pai de D. Maria I (“A Louca”); um livro de páginas em branco; e até uma lista forjada de livros proibidos: estas são algumas das misteriosas obras censuradas pela monarquia portuguesa, no período de 1777 a 1816, que ficaram sob a guarda da rainha D. Maria I e que agora estão sendo recuperadas pelos serviços de restauração da Biblioteca Nacional (BN).
“A ideia é resgatar a figura de D. Maria I e dos livros proibidos que sobreviveram à biblioteca privativa da família real portuguesa”, afirma a pesquisadora Ana Virgínia Pinheiro, chefe da Divisão de Obras Raras da BN, que conta, no total, com 20 publicações em reparo. Segundo a pesquisadora, as normas de recolhimento e não circulação de determinadas obras serviam para qualquer um, menos para o governante.
“Era proibido, mas a rainha podia... Era um capricho dela ter a guarda desses livros”, explica a pesquisadora, destacando a importância das relações de poder na época da monarquia. “Ocupando a posição de mais alto status, o soberano precisaria conhecer todos os livros que foram publicados um dia e estar ciente de todas as opiniões possíveis de seus súditos”, complementa Ana Virgínia.
Especialista em História da Literatura pela Uerj, Marcus Motta destaca a importância de se preservar esse acervo, como num movimento em contracorrente à modernidade, cuja fluidez das informações pode se perder no ambiente digital. “Esse é o lugar de uma consciência histórica como pressentimento de uma responsabilidade que escapa da rapidez do nosso mundo. É uma questão de memória”, defende o professor.
O estado dos livros, porém, requer cuidado. “Alguns sequer estão identificados por selos oficiais e o desgaste pelo tempo é predominante”, alerta Virgínia, frisando a importância dos títulos encontrados. “Um bom exemplo é Crônica de Nuremberg que, além do nosso, conta apenas com mais um exemplar publicado em primeira edição no mundo inteiro”, completa.
Segundo Marcus Motta, esta ainda é uma preocupação peculiar de centros de memória, mas que deveria ser de todos nós. “Toda geração precisa, ou é convocada, a reescrever a História. Preservando as obras, preservamos a insistência do passado. Tudo deve ser novamente questionado, perguntado, querido e criado como nosso, mesmo que muitos não queiram, por hora, emprestar suas escutas”, conclui o professor. (Janine Justen)

Fonte: http://www.revistadehistoria.com.br/secao/por-dentro-da-biblioteca/os-proibidoes-da-rainha 



Brasília executará projeto de Burle Marx para o Eixo Monumental

A Companhia Urbanizadora da Nova Capital do Brasil (Novacap) autorizou a execução do projeto paisagístico de Burle Marx para o canteiro do Eixo Monumental, entre a Torre de TV e a Rodoviária do Plano Piloto, em Brasília.
"Será um local de convívio e de lazer para toda a população do Distrito Federal, que preserva a escala bucólica de tombamento, valorizando e requalificando a área central de Brasília", destacou a diretora de Obras Especiais da Novacap, Maruska Lima, durante a apresentação do projeto.
Criado pelo escritório que até hoje leva a marca de Burle Marx, o conceito parte de desenhos realizados ainda na década de 1960 pelo paisagista paulista e inclui detalhes de vegetação, ciclovias, espelhos d'água, calçamento, irrigação e áreas de convívio.
A execução divide-se em duas etapas: perfuração de quatro poços para a irrigação e os espelhos d'água; e construção das calçadas, pavimentos e ciclovias. A obra da primeira fase está avaliada em seis milhões de reais, enquanto a segunda ainda passará por licitação.

O local também contará com iluminação diferenciada, cujo projeto será elaborado pela Companhia Energética de Brasília (CEB), e a previsão é que todas as etapas sejam concluídas até 2015. 

Fonte: http://www.arcoweb.com.br/noticias/brasilia-executara-projeto-burle-marx-para-eixo-monumental.html












domingo, 21 de julho de 2013

Iniciado restauro do Palácio Campos Elíseos

Construído no fim do século XIX, antiga sede do governo do Estado de São Paulo recebe investimentos estimados em R$15 milhões

São Paulo

Última etapa da reforma foi iniciada dia 10/07. Ideia é transformar o Palácio em instituição museológica, tendo em vista sua significação para a arquitetura e urbanismo da cidade de São Paulo.
A estimativa da Secretaria de Estado da Cultura é que a obra se conclua nos próximos 18 meses. A reforma inclui o restauro das estruturas do edifício, assim como recuperação dos adornos em madeira e pedra, adequação das paredes internas e divisórias, adequação elétrica, hidráulica e sanitária, implantação de sistemas de ar-condicionado e exaustão, sistema de proteção e combate à incêndios, acessibilidade, elevadores e projeto luminotécnico interno e externo. 
o palácio
O Palácio dos Campos Elíseos é um autêntico representante da memória dos palacetes típicos do período de industrialização e urbanização da cidade de São Paulo, na virada do século XIX para o século XX. Projetado pelo arquiteto Matheus Heussler e ambientado pelo cenógrafo italiano Cláudio Rossi, foi construído originalmente para o exportador de café Elias Antonio Pacheco Chaves. Além de materiais elementos importados da Europa e dos Estados Unidos, teve grande parte de sua marcenaria e serralheria produzida no Liceu de Artes e Ofícios de São Paulo.
Em 1911, o palacete foi adquirido pelo Governo do Estado de São Paulo para ser a residência oficial do presidente do Estado, passando a ser denominado de Palácio dos Campos Elíseos. Foi comprado com a mobília, alfaias e espelhos que já o decoravam. Entre 1921 e 1965, foi sede do Governo do Estado, passando a ser, além de residência, espaço para os despachos de presidente. Recebeu, para essas funções, algumas reformas e alterações arquitetônicas, sendo a mais significativa delas a de 1935, que, apesar e conservar a maior parte da decoração original, substituiu as escadas de madeira feitas pelo mestre Grundt por outras de alvenaria cobertas de mármore.


 









Palácio Campos Elíseos, São Paulo
Foto Regina Kalmann [Wikimedia Commons]

Cinco séculos de presença francesa no Brasil

Publicação organizada por Leyla Perrone-Moisés trata de invasões, missões, irrupções
O livro Cinco séculos de presença francesa no Brasil: invasões, missões, irrupções, organizado por Leyla Perrone-Moisés, foi lançado pela Edusp no mês de junho de 2013. O volume tem 304 páginas e um valor de capa de R$ 43,00.
O livro reúne conferências pronunciadas no ciclo organizado pelo Núcleo de Pesquisa Brasil-França, do IEA-USP, no decorrer do ano da França no Brasil, em 2009. As mesas-redondas contaram com a participação de especialistas franceses e brasileiros de diversas áreas, como história, antropologia, literatura, artes plásticas, música, teatro, fotografia e arquitetura.
Os textos que compõem o livro abordam diversos aspectos da presença dos franceses e sua cultura no Brasil entre os séculos XVI e XX, enfatizando as peculiaridades desses contatos e seus resultados na cultura brasileira. Os quatro últimos textos trazem questões sobre as atividades artísticas mais recentes na França, analisando a literatura de hoje, a arte contemporânea, a arquitetura expressiva e uma reflexão sobre o “declínio da cultura francesa”.
Segundo a organizadora, “essas referências atuais permitem-nos continuar o diálogo com as letras e as artes do país que deixou tão fundas marcas em nossa cultura.” O livro conta com artigos de Frank Lestringant, Beatriz Perrone-Moisés, Lilia Moritz Schwarcz, Jacques Leenhardt, João Roberto Faria, Gilberto Pinheiro Passos, Manoel Corrêa do Lago, Carlos Augusto Calil, Heliana Angoti Salgueiro, Gilles Lapouge, Jean Galard, Françoise Gaillard e Pierre Rivas.



















PERRONE-MOISÉS, Leyla (org.) Cinco séculos de presença francesa no Brasil: invasões, missões, irrupções. ISBN: 978-85-314-1400-8

quarta-feira, 17 de julho de 2013

Manual de orientação sobre requalificação urbana será lançado em Curitiba

Requalificar as áreas urbanas preservando e valorizando o patrimônio cultural, conferindo-lhes dinâmica econômica, urbanidade e qualidade de vida é um dos objetivos do Manual de Orientação sobre a Implementação de Ações em Áreas Urbanas Centrais e Cidades Históricas, que será lançado no próximo dia 23 de julho, em Curitiba.
A iniciativa resulta de parceria entre o Ministério das Cidades, por meio da Secretaria Nacional de Acessibilidade e Programas Urbanos (SNAPU) e o Ministério da Cultura, via Instituto do Patrimônio Histórico e Artístico Nacional (Iphan) também realizará oficinas regionais visando a capacitação de técnicos federais, estaduais e municipais para a implementação de ações de reabilitação em áreas urbanas centrais e em cidades históricas.
Na oficina da região sul, serão discutidos temas como as grandes problemáticas e estratégias de atuação, os instrumentos de política urbana, a estrutura de gestão para implementação dos planos e as fontes de recursos financeiros. Serão apresentadas também experiências relacionadas ao planejamento urbano e à preservação do patrimônio cultural nas cidades de Pelotas (RS), São Francisco do Sul e Florianópolis (SC) e Curitiba (PR), ressaltando o patrimônio cultural como um importante eixo indutor e estruturador de desenvolvimento social e econômico. Confira aqui a programação.
Inscrição
A participação é aberta ao público e, para se inscrever nas atividades de capacitação, é necessário possuir cadastro no Portal Capacidades. Caso não seja cadastrado (a) siga as orientações seguintes:
Digite em seu navegador: http://www.capacidades.gov.br/, clique em Cadastre-se, preencha todo o formulário e clique em Enviar. Aguarde em seu e-mail uma mensagem para ativação do cadastro, após a ativação, retorne ao Portal Capacidades e faça seu login utilizando seu cpf e a senha cadastrada. Após logado, localize o evento desejado em Relação das próximas atividades e faça sua pré-inscrição.
Outras informações poderão ser solicitadas no endereço eletrônico oficinacentros@cidades.gov.br.

Confira a Programação [Aqui]
Serviço
Oficina Implementação de Ações em Áreas Urbanas Centrais e Cidades Históricas - Região Sul

Data: 23 de julho de 2013
Horário: 09h
Local: Teatro Caixa
Endereço: Rua Conselheiro Laurindo, nº 280, Centro, Curitiba, Paraná

Fonte: http://portal.iphan.gov.br/portal/montarDetalheConteudo.do;jsessionid=3EC1C26870DEF187CFD7B919598CB3DD?id=17566&sigla=Noticia&retorno=detalheNoticia 



sábado, 13 de julho de 2013

Obra no Panamá pode colocar em risco Patrimônio da Humanidade

“São mais de 340 anos de história perdidos. O dano visual é horrível, o horizonte do Golfo do Panamá se perdeu, não se vê mais a península”, lamenta Hildegard Vasquez, presidente da Fundación Calicanto, uma organização que tem como missão a proteção do patrimônio histórico e humano do Panamá.

A arquiteta se refere ao viaduto de seis pistas com 2,8 quilômetros de extensão que rasga o mar em frente à península do bairro histórico de Casco Antiguo, na capital do país, tombado em 1997 como Patrimônio da Humanidade pela UNESCO. A obra, da empreiteira brasileira Odebrecht, faz parte da nova rede viária do Panamá, a Cinta Costera, contratada por cerca de 1 bilhão de dólares – dos quais US$ 780 milhões foram para o viaduto que interliga duas avenidas fazendo a conexão da parte sul da Cidade do Panamá para as pontes que levam às cidades-dormitórios.
















Cinta costeira diante do Patrimônia Mundial da Humanidade, Casco Antiguo, uma enseada estreita protegida naturalmente por rochas - foto
Roberto Quintero/Agência Pública


Licitado em 2010, o projeto previa um túnel, e não um viaduto, que pouparia a belíssima e histórica paisagem de Casco Antiguo, uma enseada estreita protegida naturalmente por rochas, reforçadas pelos espanhóis que para ali se mudaram depois que o primeiro assentamento na baía do Panamá, o Panamá Viejo, foi destruído por piratas em 1671. Vencida a licitação, porém, a Odebrecht substituiu o túnel previsto pelo Viaduto Marinho, que vai de uma ponta a outra da enseada, formando uma muralha entre o bairro histórico e o mar do Golfo do Panamá. Atualmente, mais de 60% da obra está concluída.

Cerca de 14 entidades civis, entre elas a Calicanto, organizaram uma frente chamada “Orgullo” para lutar pela suspensão do viaduto que, além de por em risco um patrimônio da humanidade, “viola as normas de contratação pública”, segundo o advogado Félix Wing, do Orgullo, especialista em direito ambiental e internacional. De acordo com ele, as leis panamenhas não permitem modificar uma obra já licitada se as alternativas não estiverem explicitadas na licitação, e a obra “retira de Casco Antiguo a sua relação intrínseca com o mar e o entorno e impacta negativamente a dinâmica das ondas, das marés e da corrente marítima, que são cruciais para garantir o futuro do saneamento natural da baía de Panamá”.

Na última semana de junho, durante a 37° Assembleia do Comitê de Patrimônio Mundial da UNESCO, em Phnom Penh, no Camboja, que reuniu representantes de 101 países para discutir a situação dos sítios protegidos Atualmente 981 propriedades em 160 diferentes países/nações, das pirâmides do Egito ao Parque Nacional do Iguaçu, no Brasil fazem parte da lista de Patrimônio Mundial.

O debate ganhou proporções internacionais com a tentativa de inclusão do sítio arqueológico Casco Antiguo – Panamá Viejo na lista de patrimônios em risco, o que ocorre quando o governo de um país não cumpre a obrigação de proteger o patrimônio tombado. O motivo é justamente a polêmica obra, como explicita o documento oficial elaborado pelo comitê técnico da UNESCO para a ocasião:

“O Centro do Patrimônio Mundial e os Órgãos Consultivos ressaltam os impactos visuais negativos do Viaduto Marinho, que irá transformar o cenário do Centro Histórico. Eles observam ainda que o viaduto tem uma estrutura muito forte, com um alto impacto visual, que não se integra harmoniosamente com o distrito histórico e estabelece um contraste indesejável no que diz respeito ao seu contexto marítimo”.

“As alternativas ao viaduto não foram suficientemente exploradas e a construção já começou, sem permitir que o Comitê do Patrimônio Mundial tivesse tempo de avaliar e identificar as possíveis recomendações”, afirma o mesmo documento. E prossegue: “Dado o atual grau e extensão de impactos negativos sobre o valor excepcional universal da propriedade, derivados da construção do Viaduto Marinho, e do estado de conservação do prédio histórico, o Patrimônio Mundial e os Órgãos Consultivos afirmam que o Comitê deve inscrever esta propriedade (Casco Antiguo-Panamá Viejo) na lista de Patrimônio Mundial em Perigo”. 

Mas, embora o corpo técnico tenha decidido contra a obra, a Assembleia decidiu, por voto, não incluir o marco histórico na lista negra da UNESCO. O Comitê do Patrimônio Mundial, porém, fez diversas recomendações ao governo panamenho, entre elas a visita de um grupo de técnicos da UNESCO e do Conselho Internacional de Monumentos e Sítios para avaliar a situação até fevereiro de 2015, quando o Comitê irá avaliar novamente se deve incluir ou não Casco Antiguo-Panamá Viejo na lista de Patrimônio em Risco.

Prejuízos ambientais e disputas judiciais
 
Em cumprimento à lei panamenha, o Ministério de Obras Públicas fez um estudo de impacto ambiental da construção do viaduto em que reconhece entre os possíveis impactos ambientais provocados pela obra a contaminação da água do mar pelo manejo inadequado de resíduos e pelo derrame acidental de combustíveis e graxas; o transporte e acumulação de sedimentos; a contaminação do ar por ruído, pó e emissão de gases pelos veículos; a perda do cenário e paisagem natural e riscos ao patrimônio subaquático.

O governo panamenho, porém, liberou a obra, anunciada como a grande solução para o problema de tráfego. Segundo o Ministério de Obras Públicas, o túnel previsto no projeto licitado era apenas “uma referência básica de design”, e a empresa ganhadora poderia apresentar um novo projeto, desde que mais barato – o projeto atual custa US$ 103 milhões a menos que o previsto.

“Além da construção, a manutenção também fica mais em conta do que a opção do túnel”, explicou o ministério em uma nota oficial, que prossegue: “A ponte marinha, além de constituir-se na solução viária mais eficiente, oferecerá novos espaços e cenários de uso público que redundarão em benefícios econômicos, sociais e culturais para todos os panamenhos”.

Um benefício que é rechaçado pelos moradores de Casco Antiguo, como Patrizia Pinzón, presidente da Associação de Vizinhos e Amigos de Casco Antiguo: “Vão alterar as marés, aumentar a poluição com as fumaças dos carros, o barulho, colocam em perigo o Patrimônio da Humanidade e isso não vai resolver o problema do trânsito: é só um jeito mais rápido de chegar a uma ponte que já está super congestionada”, diz.

O documento técnico da Unesco destaca o mesmo problema apontado por Patrícia: “Não há justificativas fundamentadas que indiquem que o viaduto vai trazer soluções de longo prazo de maneira eficaz e, sobretudo, de forma sustentável para essas questões de trânsito”.

À Pública, a Odebrecht informou através da sua assessoria que “igual a todos os projetos que realizam, com o Projeto Cinta Costera 3, a empresa cumpriu totalmente a lei panamenha e as disposições das autoridades do país”. Além disso, a empresa afirma que “até onde tivemos conhecimento, nenhuma organização apresentou denúncia diante das autoridades correspondentes sobre essas supostas violações da lei”.

Não é o que dizem as pessoas contrárias às obras. A Fundação Calicanto apresentou uma demanda no Tribunal Administrativo de Contratações Públicas pedindo a anulação da licitação que a Odebrecht ganhou para construir a fase três do Cinta Costera. O pedido foi negado e o advogado Ramón Arias, que faz parte do escritório que protocolou a interpelação, entrou com recurso na Suprema Corte Federal reafirmando o pedido de cancelamento da licitação.











  


Vista do Casco Viejo, antes da obra executada pela Odebrecht,  empresa brasileira que afirmou ter cumprido com a lei panamenha - Foto:
Agencia Pública


No documento, ao qual a Pública teve acesso, são levantados 22 considerações contrárias à obra, alegando essencialmente que a licitação contrariou normas e leis panamenhas de proteção ao patrimônio e de contratos públicos. As considerações 13° e 14°, por exemplo, afirmam que “por se tratar de um projeto que será construído dentro do Conjunto Monumental Histórico de Casco Antiguo na cidade do Panamá, os documentos que formam a licitação deveriam estar sujeitos a legislação protetora deste sítio histórico, o que não ocorreu. A entidade licitante, neste caso, o Ministério de Obras Públicas não percebeu que a alternativa opcional que é dada na licitação aos proponentes é ilegal, já que a normativa proíbe expressamente os aterros ou corredores marítimos construídos fora da muralha da cidade do Panamá”.

Essa apelação, que segundo Arias “nunca foi levada adiante pela Suprema Corte”, foi feita antes do anúncio da construção do viaduto, quando o único documento público sobre a obra era o contrato firmado entre a Odebrecht e o MOP em que se previa a construção de um túnel, mas que deixava aberta a opção da empresa escolher outra obra mais barata, com menor custo de manutenção.

Também há diversos questionamentos levantados por membros do “Orgullo” e por advogados, no Ministério de Finanças, no Instituto Nacional de Cultura, no Ministério de Obras Públicas. Nenhum deles obteve alguma resposta favorável.

Conflito de interesses
 
Desde 2008 o Comitê do Patrimônio Mundial vem expressando sua preocupação com o estado de conservação do sítio arqueológico Casco Antiguo – Panamá Viejo: “São diversos prédios históricos em deterioração, conflitos de interesse sobre o uso, administração e conservação da área, deficiência na implementação de uma lei para proteger o local, demolições ao redor, retirada forçada de ocupantes e posseiros do local”, diz o relatório daquele ano.

Em 2009 uma missão da entidade avaliou que as obras da Cinta Costera – então em fase inicial – haviam sido feitas “sem a realização de estudos de impacto ambiental ou de dano ao patrimônio”, e pior, “sem informar o Comitê do Patrimônio Mundial” – os locais tombados pela Unesco passam a “pertencer a toda Humanidade” e os países são obrigados a relatar os eventos que se referem a cada sítio.

Além disso, a missão observou que a Fase 3 do projeto – a construção do viaduto pela Odebrecht – poderia ter um impacto sobre o sítio Casco Antiguo-Panamá Viejo e pediu ao Panamá a apresentação de um relatório final, incluindo a análise e monitoramento dos impactos. Desde então, os repetidos relatórios entregues pelo governo panamenho foram considerados insuficientes pelo corpo técnico do órgão.

Por isso, os ativistas que lutam pela proteção do patrimônio, revoltaram-se com a decisão da Assembleia da UNESCO de não incluir o sítio arqueológico panamenho entre os patrimônios em risco. “Quem mais perde com isso, fora as pessoas de Casco, é a UNESCO. Que credibilidade eles vão ter? O documento deles pode dizer qualquer coisa, mas não muda a realidade. O fato é que o viaduto está quase pronto e eles poderiam ter impedido isso”, diz Patrizia Pinzón.

Durante a preparação da Assembléia, o grupo “Orgullo” enviou cartas, documentos e fotografias para denunciar os problemas com as obras a cada um dos delegados oficiais, bem como Ban Ki-moon, secretário-geral da ONU. O governo panamenho – que não tinha direito a voto na Assembleia – levou para a reunião da UNESCO uma delegação de 13 pessoas – uma das maiores presentes no evento. Havia representantes do Patrimônio Histórico do Panamá, o ministro das relações exteriores, da Oficina Casco Antiguo, de consultorias e do Instituto Nacional de Cultura.

Entre eles, também, havia dois funcionários e um consultor da Odebrecht. Yuri Kertzman, diretor do Projeto Cinta Costera, Helio Boleira, diretor sênior da empresa e Juan Herreros, consultor externo de arquitetura, aparecem na lista oficial da UNESCO como sendo membros do Instituto Nacional de Cultura.

Em nota à Pública, a empresa brasileira admitiu que seus três representantes estiveram na delegação do Panamá, a convite do Instituto Nacional. Todos os gastos, segundo a nota, foram pagos pela Odebrecht. Na lista oficial do evento, porém, eles não são assinalados como enviados da Odebrecht.

A delegação panamenha também contou com a ajuda da delegação do Brasil, de acordo com a imprensa do Panamá. Segundo jornais, a delegação brasileira apresentou um projeto de um documento com modificações ao estipulado pelo Comitê, evitando a inclusão de Casco Antiguo na lista de Patrimônio em Risco. O Itamaraty não respondeu aos pedidos de explicação da Pública.

“Com essa decisão de não colocar Casco Antiguo-Panamá Viejo na lista de Patrimônio em Risco, ficou evidente que a discussão do Comitê de Patrimônio Mundial da UNESCO é política e não técnica”, acusa o advogado Félix Wing. “ São os governos que tomam as decisões e eles decidem pensando que provavelmente, em um futuro não distante, tomarão medidas parecidas e seus pares irão devolver o favor. O que é sumariamente deplorável”.

* Originalmente publicado pela Agência Pública

Fonte:  http://operamundi.uol.com.br/conteudo/reportagens/29843/obra+no+panama+pode+colocar+em+risco+patrimonio+da+humanidade.shtml

quarta-feira, 10 de julho de 2013

Casarão histórico vai ser reformado em Petrópolis, Região Serrana do Rio

A prefeitura de Petrópolis, Região Serrana do Rio, anunciou que vai reformar um dos casarões mais importantes da cidade. O projeto foi encaminhado nesta quarta-feira (10) para o escritório técnico do Instituto do Patrimônio Histórico e Artístico Nacional (Iphan).
Segundo a Associação dos Moradores e Amigos do Centro Histórico, falta uma política de preservação no município, onde 17 prédios tombados estão abandonados. O Centro de Capacitação Frei Memória fica em área nobre, ao lado do Palácio Amarelo e em frente ao Museu Imperial. A fachada tem pixações, rachaduras e vidros quebrados.
A construção é do final do século XIX. O prédio pertence à prefeitura e é tombado pelo Iphan. O investimento para reforma está orçado em R$ 700 mil, verba do Fundo de Manutenção e Desenvolvimento da Educação Básica (Fundeb). De acordo com prefeitura, a obra não será de restauração e sim de recuperação da estrutura, do telhado até o piso.
A diretora do escritório técnico do Instituto do Patrimônio Histórico e Artístico Nacional, Érika Machado, informou que, por lei federal, o instituto tem prazo de um mês para análise de projetos, podendo o mesmo prazo ser ampliado dependendo da complexidade do assunto.
 
Fonte: http://g1.globo.com/rj/regiao-serrana/noticia/2013/07/casarao-historico-vai-ser-reformado-em-petropolis-regiao-serrana-do-rio.html 
 
 
 
 

Fogo danifica palácio histórico no centro de Paris

PARIS, 10 Jul (Reuters) - Um incêndio causou graves danos a um palácio do século 17 no centro de Paris nesta quarta-feira, queimando uma grande parte de seu telhado, assim como toda uma onerosa renovação já quase concluída.
O Hotel Lambert, na Ile Saint-Louis do rio Sena, era uma das mais bem preservadas mansões privadas de Paris. O arquiteto do prédio, Louis Le Vau, também projetou o Palácio de Versalhes.
"Este é um revés para o nosso patrimônio histórico", disse o prefeito de Paris, Bernard Delanoe, a jornalistas no local.
Os bombeiros correram para a mansão em torno de 1h da manhã no horário local, e lutaram por seis horas para conter o incêndio, que eclodiu em uma área de difícil acesso por baixo do telhado, por razões ainda desconhecidas. Ninguém ficou ferido.
No momento em que o fogo foi apagado, 650 metros quadrados do telhado haviam sido consumidos, parte de uma escadaria central e parte da alvenaria da fachada desabaram e quartos ficaram danificados pela água e fumaça, disse o porta-voz dos bombeiros, Pascal Le Testu.
Os historiadores de arte ainda avaliavam os danos às obras de arte, que os bombeiros tentaram proteger, disse Le Testu.
Eles conseguiram evitar que o fogo se espalhasse para prédios vizinhos, que foram esvaziados por precaução.
O incêndio aconteceu enquanto trabalhadores davam os toques finais na renovação acordada entre as autoridades de Paris e o proprietário, um irmão de Hamad bin Khalifa al-Thani, o ex-emir do Catar.
Planos para renovar a mansão só foram finalizados após uma longa batalha legal entre grupos de defesa dos monumentos de Paris e Al-Thani, que a comprou em 2007 por um preço estimado pela mídia em até 80 milhões de euros (102 milhões de dólares).
A mansão foi ocupada por 150 anos pela família polonesa Czartoryski, que a vendeu ao ramo francês da família Rothschild em 1975.
(Por Marine Pennetier)

Fonte: http://g1.globo.com/mundo/noticia/2013/07/fogo-danifica-palacio-historico-no-centro-de-paris.html 


domingo, 7 de julho de 2013

Mercado Público de Porto Alegre - Um Marco da Memória da Cidade

Infelizmente, no último sábado - 06/07/2013 - o Mercado Pùblico de Porto Alegre foi atingido por um incêndio que destruiu cerca de 10% do prédio, incluíndo o Memorial do Mercado, onde eram guardados importantes documentos sobre a história do prédio.

Abaixo, um pouco da história do local:

Patrimônio Histórico e Cultural de Porto Alegre, o Mercado Público foi inaugurado em 1869 para abrigar o comércio de abastecimento da cidade. Tombado como um Bem Cultural, passou entre 1990 e 1997 por um processo de restauração, agregando mais qualidade a sua estrutura e recuperando a concepção arquitetônica original. Com as obras, o Mercado também ampliou o seu número de estabelecimentos comerciais. Além de oferecer bons produtos, procurando praticar uma boa política de preços, o Mercado Público também atua como espaço para manifestações culturais e comunitárias, proporcionando mais qualidade de vida a população.

DADOS

  • Inauguração: 03.10.1869
  • Projeto: Eng. Frederico Heydtmann, realizado em 1861
  • Estilo arquitetônico original: neoclássico
  • Estilo arquitetônico atual: eclético (após diversas reformas)
  • Possui a forma de um quadrilátero e foi inaugurado somente com 1 pavimento e 4 torreões (nas esquinas).
  • Adaptando-se ao crescimento da cidade e suas demandas, sofreu várias alterações, dentre as quais a construção, na sua parte interna, de chalés em madeira.
  • Em 1912 foi construído o 2º pavimento para abrigar escritórios comerciais e industriais e repartições públicas.
O Mercado Público passou por incontáveis mutações arquitetônicas e sobreviveu a diversas enchentes, incêndios e ameaças de demolição:
  • Enchente: 1941;
  • Incêndios: 1912 (que destruiu os chalés internos), 1976 e 1979;
  • Foi ameaçado, na Administração Telmo Thompson Flores, de ser demolido para construção de uma avenida.
Em 12 de dezembro de 1979, o Mercado Público foi tombado pelo Patrimônio Histórico e Cultural de Porto Alegre (Lei 4.317/77).
Em 1990, a Administração Popular organizou uma equipe multidisciplinar de técnicos para desenvolver o Projeto de Restauração,  no qual ficavam claros os seguintes objetivos:
  • Resgate da qualidade estética da edificação;
  • Otimização de seu potencial de abastecimento;
  • Valorização dos espaços de sociabilidade.
A reforma recuperou a percepção visual das arcadas, resgatou as circulações internas, criou novos espaços de convivência e implantou redes de infra-estrutura compatíveis com o funcionamento do Mercado. Foi construída uma nova cobertura que possibilitou a integração entre o térreo e o 2º Pavimento.
No 2º pavimento, onde antes existiam escritórios e repartições públicas, atualmente está sendo ocupado com diversos estabelecimentos como: restaurantes, lancherias, etc., através de concorrências públicas.
O Mercado, através da restauração, foi dotado de moderna infra-estrutura, qualificando seu espaço interno e externo, como duas escadas rolantes, 2 elevadores, 4 baterias sanitárias para o público, um Memorial, dentre outras melhorias. Também possui sistema de gás encanado, cujo produto é fornecido por uma central de gás externa ao prédio, que lhe confere maior segurança, além de vestiários e refeitório, para permissionários e seus funcionários, 4 câmaras frias (uma para lixo e 3 para produtos perecíveis) e um sistema de refrigeração já concluídos.
O custo da reforma ficou, na época, em R$ 9 milhões, sendo, 88% do orçamento da PMPA, e os demais 12% pelo FUNMERCADO e doações diversas. O FUNMERCADO (Fundo Municipal do Mercado Público) foi criado em 1987, através da Lei 5994/87. É formado com a receita arrecadada das permissões de uso, tendo a finalidade de custear a restauração, reforma, manutenção e animação do prédio.
Equipe responsável pela restauração do Mercado:

COORDENAÇÃO TÉCNICA GERAL

Arquiteto Octacílio Rosa Ribeiro (1991 a 1994)
Arquiteto Teófilo Meditsch (1994 a 1997)
Arquiteta Vera Maria Becker (1991 a 1997)


PROJETO ARQUITETÔNICO DE RESTAURAÇÃO

Arquiteta Doris Oliveira
Arquiteto Evaldo Schumacher
Arquiteto Octacílio Rosa Ribeiro
Arquiteto Teófilo Meditsch
Arquiteta Vera Maria Becker

PREMIAÇÃO
Em novembro de 1997, o “Instituto de Arquitetos do Brasil” e a “Fundação Bienal de São Paulo” conferiram aos autores do projeto, arquitetos Doris Maria de Oliveira, Evaldo Schumacher, Octacílio Rosa Ribeiro, Teófilo Meditsch e Vera Maria Becker  o Prêmio 3ª Bienal Internacional de Arquitetura, pelo trabalho “Mercado Público de Porto Alegre / RS”, categoria Patrimônio Histórico.

PERÍODO DE EXECUÇÃO DA RESTAURAÇÃO
Trabalhos iniciados em 1990 e desenvolvidos ao longo das Administrações dos Prefeitos Olívio Dutra, Tarso Genro e Raul Pont.

REINAUGURAÇÃO

A reinauguração ocorreu no dia 19 de março de 1997.

Fontes: http://www2.portoalegre.rs.gov.br/mercadopublico/default.php?p_secao=4

http://www.mercadopublico.web687.uni5.net/




































Crédito das fotos: http://www2.portoalegre.rs.gov.br/mercadopublico/default.php?p_secao=20 

sexta-feira, 5 de julho de 2013

Documentário sobre Vilanova Artigas

Comemoração dos 100 anos de nascimento do arquiteto brasileiro

São Paulo

Filme de Laura Artigas e Pedro Gorski está em fase de captação de recursos
Em 2015 Vilanova Artigas completaria 100 anos. Para celebrar a data e relembrar sua vida e obra Laura Artigas, neta do arquiteto, e o diretor Pedro Gorski planejam o documentário “Artigas: As Casas como As Cidades. As Cidades como As Casas”. Com produção executiva de Luiz Ferraz e Gal Buitoni, da Olé Produções, o projeto acaba de ser aprovado pela Lei do Audiovisual e a equipe está em busca de patrocinadores.

Sobre Vilanova Artigas:
Admiro os poetas. 
O que eles dizem com duas palavras 
a gente tem que exprimir com milhares de tijolos.
O arquiteto João Batista Vilanova Artigas, nasceu em Curitiba, Estado do Paraná, em 23 de junho de 1915. Mudou-se para São Paulo e se formou arquiteto na Escola Politécnica da USP, em 1937. Foi fundador da Faculdade de Arquitetura e Urbanismo da Universidade de São Paulo, em 1948, na qual liderou, mais tarde em 1962, um movimento para a reforma de ensino que influenciou outras faculdades de arquitetura no Brasil inteiro. Foi membro do Partido Comunista e militante de movimentos populares e, por isso, perseguido pela ditadura militar, tendo sido cassado em 1969 por força do AI-5. Sua obra foi duas vezes premiada internacionalmente (Prêmio Jean Tschumi - 1972 e Prêmio Auguste Perret – 1985, este póstumo.). A arquitetura que produziu foi reconhecida, por alguns críticos, como uma verdadeira "escola", a chamada "Escola Paulista". Dentre os 700 projetos que produziu durante sua carreira, destacam-se: Edifício da Faculdade de Arquitetura e Urbanismo da Universidade de São Paulo; Conjunto Habitacional Zezinho Magalhães Prado, em Guarulhos; Passarelas Urbanas; escolas públicas; Estádio do Morumbi; clubes; sindicatos; edifícios de apartamentos e casas.

Sobre a equipe do documentário
Laura Artigas (diretora e roteirista) é jornalista formada pela PUC-SP, estudou roteiro de cinema em Buenos Aires, onde frequentou o curso “Escribir Cine”, ministrado pelo premiado diretor Juan José Campanella e pela roteirista Aída Bortnik. Atua no mercado audiovisual desde 2007. Foi roteirista do programa GNT Fashion/ Canal GNT, story producer no reality show “Perdidos na Tribo”/ Band, entre outros projetos para TV e internet. Como jornalista escreveu para veículos como Vogue, Elle, Marie Claire, TRIP e Folha de S. Paulo. Em janeiro de 2006, criou omodapraler.com, um dos primeiros blogs de moda do Brasil, e referência de conteúdo sobre o tema. Atualmente é roteirista e jornalista freelancer.
Pedro Gorski (diretor) é formado em Comunicação Social pela Escola Superior de Propaganda e Marketing – ESPM e com especialização em Cinema Documental na escola Observatório de Cine de Barcelona. Trabalha com audiovisual desde 2000. Trabalhou como diretor de externas no programa TNT+Filme (Turner). Dirigiu os documentários “Brasília – A Construção de um Sonho” e “Rio de Janeiro – Segurança em Jogo” para o Discovery Channel e as biografias de Hélio Gracie e Fernando Henrique Cardoso para o Biography Channel /History Channel. Dirigiu também o curta documentário Bernnô, que foi da seleção oficial do Festival É Tudo Verdade 2010 e ganhou prêmio de melhor curta documentário no FAM 2011 (Florianópolis Audiovisual do Mercosul). Foi produtor executivo do documentário “Open Arms, Doors Closed”. Atualmente é sócio e diretor criativo da produtora Plataforma, empresa de origem mexicana, aberta no Brasil em 2012, que produz formatos e projetos para televisão, internet e cinema.
Gal Buitoni e Luiz Ferraz (Olé Produções / produção executiva) produziram 1 longa-metragem e 9 curtas e médias. Exibiram seus filmes nos mais importantes festivais do Brasil e do mundo como o Festival do Rio, Mostra de Cinema de São Paulo, Karlovy Vary (Rep. Tcheca) e DocsDF (México). Já tiveram filmes exibidos em países como EUA, Canadá, Reino Unido, Rússia, México, Colômbia, Venezuela, Argentina, Hungria, República Tcheca, Polônia e Itália. Também já fecharam acordos com grandes distribuidoras e canais de TV brasileiras. Os principais trabalhos são: Sobre futebol e barreiras (2010 – 110’ – HD); O pai do gol (2012 – 17’- HD); Barbeiros (2012 - 17’ – 35mm); Funeral à cigana (2012 - 15’- 35mm); samba de quadra (2008 - 16’ - 35mm).






















Vilanova Artigas na FAU-USP em 1984 - Um de seus projetos mais conhecidos

quarta-feira, 3 de julho de 2013

Museu de Arte do Rio (MAR), Rio de Janeiro

A onda da sedução

Concreto à imagem de água ondulante é o apelo sedutor do Museu de Arte do Rio (MAR), inaugurado no início de março, na zona portuária carioca. O simbolismo diverte, mas é pouco se confrontado com o papel articulador da cobertura sinuosa do complexo, que, o primeiro de grande porte do processo de transformação urbana em curso naquela região, sela a dissolução do escritório Bernardes Jacobsen Arquitetura.
 
Até o infográfico caprichado, apontando o passo a passo da concretagem da cobertura em 16 segmentos com cerca de 5 x 5 metros de projeção (moldados por peças maciças de isopor confeccionadas por cenotécnicos do samba), serviu de munição à imprensa diária para explicar aos leitores a engenharia da obra - que teve entre seus consultores o português Jorge Nunes da Silva, braço direito de Álvaro Siza no projeto estrutural do Museu Iberê Camargo, em Porto Alegre.
 
O fato é que foi em meio ao concurso para a nova unidade do Museu da Imagem e do Som do Rio de Janeiro (MIS/RJ), atualmente em construção na orla de Copacabana, que em 2009 se cogitou, para a concepção do MAR, a escolha dos arquitetos do BJA - desmembrado em 2012 nos escritórios de Thiago Bernardes (Bernardes Arquitetura) e Paulo e Bernardo Jacobsen (Jacobsen Arquitetura).
 
Simultaneamente ao MIS, cujo concurso foi vencido por Diller Scofi dio + Renfro (leia PROJETO DESIGN 356, outubro de 2009), estava em formatação um museu para dar nova vida ao Palacete D. João 5º, bem arquitetônico inaugurado em 1931 e que, tombado pelo Instituto do Patrimônio Histórico e Artístico Nacional (Iphan), se deteriorava na zona portuária, bem em frente ao ponto privilegiado de desembarque dos milhares de turistas que povoam os grandes navios de cruzeiro.
 
Essa opção culturalmente mais interessante à ideia preliminar de transferir para o imóvel a sede da prefeitura contou com a simpatia de dois importantes agentes: o curador de arte Paulo Herkenhoff, um dos jurados da competição do MIS, e o jornalista Leonel Kaz, que, em São Paulo, assinou a direção e o conteúdo do Museu do Futebol (leia PROJETO DESIGN 346, dezembro de 2008).

O MAR, portanto, extrapolando o espaço do palacete, já nasceu bipartido. O momento e o local - berço da formação do Rio de Janeiro - demandavam uma ação não convencional, que vinculasse o acervo especial sobre a história da cidade - arte que fala da transformação da paisagem - à ação educativa em escala muito maior do que a das salas fechadas e isoladas das instituições culturais. Algo que, com o nome Escola do Olhar, fosse tão popular quanto o sugerido pela proximidade com o morro da Conceição.

Ao palacete, assim, somou-se no programa a área do prédio vizinho, obra moderna, dos anos 1940, que abrigou a primeira rodoviária do Rio, funcionou como terminal de ônibus e, no final de 2008, amargava os últimos suspiros como hospital da polícia, já parcialmente desativado.

Os governos municipal e estadual, proprietários dos imóveis, deram o sinal verde, e a junção entre o eclético tardio e o austero moderno seguiu adiante. Então, com as curadorias em conceituação, os arquitetos passaram a estudar formas de unir as duas edificações, não necessariamente estendendo uma laje no vão de dez metros que as distancia.