sexta-feira, 3 de maio de 2013

Palácio Gustavo Capanema, Rio de Janeiro

Restauro do ícone da arquitetura moderna carioca volta e meia vira notícia sem, porém, avançar ou retroceder

Notícia enguiçada é o nome que o cronista Tutty Vasques, do jornal O Estado de S. Paulo, dá àqueles temas que, por um motivo ou outro, volta e meia retornam à pauta das publicações sem avançar ou retroceder. Na arquitetura, um forte candidato a essa categoria seria o restauro e a possível ocupação com novas funções do Palácio Gustavo Capanema, no Rio de Janeiro, conjunto que é considerado um marco da arquitetura moderna brasileira.
Um dos mais recentes retornos do edifício à mídia deu-se no final de novembro, quando a ministra da Cultura, Marta Suplicy, combinou com um grupo de deputados federais do Rio de Janeiro a apresentação de emenda legislativa ao Orçamento federal no valor de 50 milhões de reais, destinados à restauração do prédio, projetado nos anos 1930 por Affonso Reidy, Lucio Costa, Oscar Niemeyer, Jorge Moreira, Ernani Vasconcelos e Carlos Leão, com a participação de Le Corbusier.
O acordo foi selado quando Marta esteve no Capanema para conhecer seu acervo, verificar suas condições e as necessidades de restauro. Para não fugir à regra, a ministra também conheceu a proposta (apresentada pelo arquiteto Lauro Cavalcanti, diretor do Paço Imperial) alinhavada pelo Instituto do Patrimônio Histórico e Artístico Nacional (Iphan) para que, após a recuperação, fosse dada ocupação a uma parte da histórica edificação.
O Iphan pretende que os andares inferiores do prédio projetado originalmente para receber o Ministério da Educação e Saúde sejam abertos ao público e tenham uso cultural, com atividades que preservarão a memória dos grandes nomes do modernismo brasileiro na música, teatro, poesia, educação e antropologia. No pavimento mais alto haveria um restaurante.
Um dos primeiros registros do Palácio Capanema em PROJETO DESIGN - e não se tratava de restauro - deu-se na edição 73, de março de 1985. A propósito do lançamento do livro Tempos de Capanema, da Editora Paz e Terra/Edusp, Hugo Segawa resgatava as circunstâncias que levaram à construção do prédio, depois de cancelado o concurso para a sede do MES: Arquimedes Memória venceu a competição, recebeu o prêmio, mas, por decisão do então ministro, que dá nome ao prédio, seu projeto ficou apenas na memória.
O Capanema voltou às páginas da revista (edição 338, abril de 2008) quando o senador Paulo Duque (PMDB/RJ) defendeu a doação do prédio para o governo do Rio de Janeiro. Retornou em julho de 2008 (edição 341) para dar conhecimento aos leitores de que ele sediaria um centro de estudos do patrimônio, e novamente em abril do ano passado (edição 386) para informar que o conjunto seria revitalizado. É ou não um caso de notícia enguiçada?


Texto de Adilson Melendez
Publicada originalmente em PROJETODESIGN
Edição 392 Outubro de 2012
 
 

Esboço de Le Corbusier para o edifício do Ministério da Educação e Saúde: por intervenção do ministro Gustavo Capanema, projeto substituiu ganhador de concurso
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
Uma das novas propostas para o edifício é abrir andares inferiores ao público e preservar a memória de grandes nomes do modernismo brasileiro

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